Lusófonos com falta de fundos para garantir sustentabilidade ambiental

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Constatação é do secretário-executivo da Convenção sobre Diversidade Biológica; em declarações à Rádio ONU, Bráulio Dias falou de avanços em Angola, Brasil, Moçambique e Portugal na agenda global que termina este ano.

Foto: Pnuma

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

Os países de língua portuguesa tiveram um progresso desigual em relação ao Objetivo de Desenvolvimento do Milénio número 7, que prevê “garantir a sustentabilidade ambiental”.

Em declarações à Rádio ONU, de Montreal, no Canadá, o  secretário-executivo da Convenção sobre Diversidade Biológica, Bráulio Dias, apontou as diferentes situações políticas e sociais como um marco na atuação de cada país lusófono nos últimos anos.

Agenda

“Países como Guiné-Bissau, por exemplo, pouco avançaram dado a dificuldades económicas e políticas. Outros, como Timor-Leste, praticamente estão começando quase do zero, nestes últimos anos, a fazer um esforço para implementar essa agenda. Angola e Moçambique têm uma biodiversidade imensa, mas foi muito impactada durante todo o período de guerra civil e estão também fazendo um grande esforço de recuperação.”

Brasil

Os avanços incluem a atenção dada a áreas protegidas, que resultou na sua ampliação. Dias disse que Moçambique duplicou essas áreas nas últimas décadas.

O especialista destacou que a dificuldade nos lusófonos africanos está em controlar as espécies invasoras e proteger aquelas que são  vulneráveis às mudanças climáticas. Mas Bráulio Dias destacou um dos maiores desempenhos mundiais.

“O Brasil apresentou resultados bastante significativos nesta última década. Cabe destacar também o grande avanço em áreas protegidas. O país dobrou a extensão da sua rede dessas áreas. Foi o país que mais reduziu as taxas de desmatamento e desflorestação em todo o mundo nesta última década. Houve uma redução de mais de 80% das taxas de perda de biodiversidade do Brasil desde 2005 até agora.”

Mesmo com o vínculo de Portugal com a União Europeia, o país teve a área ambiental afetada pela crise de 2008.

“Portugal sofreu bastante com a crise económica e ainda sofre essas consequências. O grande desafio de Portugal é superar essa crise financeira e poder voltar a ampliar os seus investimentos nas questões ligadas à biodiversidade. O país tem um Instituto de Conservação da Biodiversidade muito bem estruturado, e programas muito importantes na área de biodiversidade marinha. Todo o esforço que a convenção sobre a Diversidade Biológica tem de promover a conservação da biodiversidade marinha se iniciou com uma discussão nas ilhas de Açores."

Para Bráulio Dias, todos os países de língua portuguesa têm dificuldades de mobilizar recursos financeiros. Segundo ele, a Convenção e os seus parceiros apostam em capacitar técnicos para encontrar soluções para cada nação.

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