Sudanesa é condenada a chibatadas por se vestir de "forma indecente"

Ouvir /

Especialistas da ONU em direitos humanos apelam ao governo para derrubar as leis que discriminam as mulheres; estudante deve receber 20 chibatadas; ela estava num grupo com outras alunas que vestiam calças e saias.

Imagem da bandeira do Sudão

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York.

Um grupo de especialistas da ONU em direitos humanos está alarmado com o Tribunal do Sudão, que condenou uma estudante a chibatadas públicas por ter se "vestido de forma considerada indecente". Ela estava num grupo com outras jovens cristãs e todas foram presas por vestirem calças ou saias.

Os relatores da ONU divulgaram um comunicado conjunto nesta sexta-feira, destacando que condenar mulheres a chibatadas é prática comum no Sudão, um país de maioria muçulmana, e eles consideram que a pena é usada de forma desproporcional.

Leis

Os especialistas consideram a decisão "revoltante" e pedem que a pena seja cancelada. O grupo também faz um apelo ao governo sudanês, para que anule todas as leis que discriminam as mulheres.

Eles lembram que a punição corporal gera consequências devastadoras ao bem-estar físico e psicológico. Os relatores pedem ao governo do Sudão para que acabe "com essas graves violações dos direitos das mulheres" e trate as questões ligadas à discriminação, abuso e tortura.

Igreja

No dia 25 de junho, a jovem foi presa junto com outras 11 estudantes, todas com idades entre 17 e 23 anos. Elas tinham participado de uma cerimônia numa igreja batista e vestiam calças ou saias.

Segundo relatos, elas foram sujeitas à humilhação e abusos verbais por parte dos policiais. Duas jovens foram soltas algumas horas depois. As outras 10 estudantes pagaram fiança e saíram da cadeia dois dias depois, mas foram acusadas de se vestirem de "forma indecente".

Multa

A acusação foi baseada num artigo do Ato Criminal do Sudão, de 1991. Segundo os relatores da ONU, essa lei geralmente é usada exclusivamente contra as mulheres.

Em julho, a estudante Ferdous Al Toum foi para o tribunal, usando um vestido considerado "indecente" pelo juiz, que a obrigou imediatamente a pagar uma multa de 500 pesos sudaneses, cerca de US$ 83. Ativistas de direitos humanos pagaram a fiança dela.

Oito das jovens não foram condenadas nem obrigadas a pagar multa. Mas Ferdous Al Toum voltou à corte há duas semanas e foi condenada a 20 chibatadas e a uma nova multa de 500 pesos sudaneses.

Outra estudante, Rehab Omer Kakoum, também vai ter que pagar uma multa no mesmo valor. Os relatores da ONU que assinam o comunicado conjunto são especializados em discriminação contra as mulheres na lei; em violência contra mulheres; em direitos humanos no Sudão e em tortura e tratamentos crueis.

Compartilhe

JORNAL DA ONU - 5 MIN, 15 DE DEZEMBRO DE 2017
JORNAL DA ONU - 5 MIN, 15 DE DEZEMBRO DE 2017
Loading the player ...

SIGA A RÁDIO ONU NAS REDES SOCIAIS

 

dezembro 2017
S T Q Q S S D
« nov    
 123
45678910
11121314151617
18192021222324
25262728293031