Iémen: baixas do conflito em crianças mais do que triplicam em três meses

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Representante do secretário-geral para crianças e conflitos armados destaca que 73% das mortes foram devido a bombardeamentos aéreos; desde março, 402 menores perderam a vida e mais de 600 ficaram feridos.

Crianças iemnitas no meio de destroços. Foto: Unicef/Mohamed Hamoud

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

O número de crianças mortas e feridas no conflito iemenita mais do que triplicou entre abril e junho, em comparação com o primeiro trimestre de 2015.

A representante do secretário-geral para crianças e conflitos armados publicou uma nota que cita os ataques aéreos como responsáveis por 73% dos 402 casos fatais registados desde março. Mais de 606 crianças contraíram ferimentos.

Obrigações

Leila Zerrougui pediu a todas as partes do conflito que respeitem as suas obrigações de proteger civis de danos, incluindo crianças, tal como prevê o direito internacional.

Ao expressar alarme com a escala e o impacto das graves violações, a nota menciona a morte de 34 crianças e outras 12 que ficaram feridas desde domingo em Tais, a terceira maior cidade do país.

Ataques

Zerougui também disse estar consternada com a morte de 65 civis a 21 de agosto em “ataques aéreos da coligação” liderada pela Arábia Saudita. Pelo menos 17 crianças estavam no grupo.

Outros 17 menores perderam a vida e 12 ficaram feridos em bombardeamentos dos combatentes Houthis contra áreas residenciais.

A responsável disse que as crianças estão a pagar um preço inaceitável e que o grande número de mortos ressalta tragicamente a necessidade de medidas urgentes para proteger as crianças e a outros civis.

Obrigações Legais

Zerrougui pediu que as partes em conflito respeitem as suas obrigações legais internacionais que preveem distinguir entre alvos civis e militares, e tomem precauções para evitar e minimizar as baixas.

A representante lamentou também o número de ataques a escolas e aos profissionais da educação, bem como o impacto arrasador sobre o direito das crianças a aprender.

Escolas

De acordo com o Fundo da ONU para a Infância, Unicef, 114 estabelecimentos de ensino foram destruídos e 315 ficaram parcialmente danificados desde o fim de março. Cerca de 360 escolas abrigam deslocados.

Com o início do ano letivo em setembro estima-se que 3,6 mil escolas não possam abrir devido à insegurança, o que deverá impedir o acesso de 1,8 milhão de crianças à educação.

Geração Perdida

A representante considera o Iémen um “exemplo gritante de como o conflito na região arrisca-se a criar uma geração perdida de crianças”.

Zerrougui frisa que além destas serem marcadas física e psicologicamente pelas suas experiências, são privadas de oportunidades de educação e enfrentam um futuro incerto.

A nota encerra a mencionar indicações de um aumento dramático do recrutamento e uso de crianças por todas as partes do conflito nas suas ações no terreno.

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