ONU preocupada com refugiados nas eleições da República Centro-Africana

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Conselho de Transição Nacional decidiu proibir que refugiados votem nas presidenciais; coordenador humanitário das Nações Unidas diz que exclusão pode gerar consequências negativas.

Centro-africanos num acampamento na RD Congo. Foto: Acnur/B.Sokol

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova Iorque.*

O Conselho de Transição Nacional da República Centro-Africana decidiu proibir que refugiados centro-africanos votem nas eleições presidenciais, que devem ocorrer ainda este ano.

A medida é motivo de preocupação para as Nações Unidas, que está a chamar a atenção para "o potencial impacto da decisão sobre os esforços de promoção da reconciliação nacional e da coesão social".

Credibilidade

Esta segunda-feira, o coordenador humanitário da ONU na República Centro-Africana expressou "muita preocupação" com a decisão do conselho. Aurélien Agbénonci afirmou que excluir os refugiados interfere na "credibilidade e na inclusão" do processo eleitoral.

O representante das Nações Unidas em Bangui lembrou que todos buscam "eleições livres, transparentes, inclusivas e abertas".

Deslocamento

Desde dezembro de 2013, aproximadamente 25% da população da República Centro-Africana abandonou as suas casas e ficou deslocada em outras zonas do país.

Mais de 460 mil civis fugiram para países vizinhos, como Camarões, Congo, República Democrática do Congo e Chade. Segundo Agbénonci, "este número é significativo e representa um eleitorado que não pode ser ignorado".

Futuro

O especialista lembra que o retorno de refugiados ao seu país de origem é totalmente voluntário. Enquanto o processo de reconciliação já foi iniciado, a decisão de voltar só pode ser tomada pelos próprios centro-africanos, ressaltou Aurélien Agbénonci.

A primeira ronda das eleições presidenciais e parlamentares estão agendadas para 18 de outubro e um possível segundo turno pode ocorrer em 22 de novembro.

Nos últimos anos, a República Centro-Africana passou por uma grande crise política, o que levou a um conflito que afetou a maioria da população. Metade dos habitantes do país, ou 2,7 milhões de pessoas, precisam de assistência imediata. Os dados são do Escritório da ONU para Coordenação de Assuntos Humanitários, Ocha.

*Apresentação: Denise Costa.

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JORNAL DA ONU - 5 MIN, 12 DE DEZEMBRO DE 2017
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