ONU preocupada com "catastrófica situação humanitária" no Iêmen

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Chefe do Ocha afirmou que milhões de mulheres, crianças e homens enfrentam violência terrível; Stephen O'Brien citou ainda fome extrema e pouca assistência de saúde.

Crianças iemenitas brincam no meio de destroços na província de Zinjibar. Foto: Acnur/A. Al-Sharif

Edgard Júnior, da Rádio ONU em Nova York.

O subsecretário-geral para Assuntos Humanitários da ONU, Stephen O'Brien, afirmou que "está profundamente preocupado com a catastrófica situação humanitária do Iêmen".

Em comunicado divulgado esta quarta-feira, O'Brien disse que milhões de mulheres, crianças e homens estão enfrentando uma violência terrível, fome extrema e pouca assistência de saúde.

Sinal

Segundo ele, tudo isso acontece no momento em que combates e bombardeios estão ocorrendo por todas as partes do país sem qualquer sinal de redução.

O'Brien, que também é chefe do Escritório das Nações Unidas de Assistência Humanitária, Ocha, declarou que está "profundamente decepcionado pela pausa humanitária não ter sido implementada durante o fim de semana".

Ele pediu a todas as partes envolvidas no conflito que concordem com uma pausa humanitária imediata e incondicional.

Lei Internacional

O subsecretário-geral quer que todos obedeçam a lei internacional de proteção de civis e que facilitem o acesso rápido e seguro das organizações de ajuda às pessoas que precisam de assistência.

Stephen O'Brien disse que apesar dos conflitos contínuos, os trabalhadores humanitários e as organizações parceiras estão conseguindo distribuir alguns suprimentos para as famílias necessitadas.

Ele alertou que essa ajuda não é suficiente e, também, que é preciso mais fundos para aumentar as operações e os estoques de materiais humanitários.

US$ 1,6 Bilhão

Em relação à ajuda financeira para o país árabe, mais cedo, o Ocha afirmou que são necessários US$ 1,6 bilhão para ajudar a população do Iêmen em 2015. Mas o ano já está no segundo semestre e até o momento a agência conseguiu apenas 15% desse montante.

O país registrou nessa semana o maior número de mortes com ataques contra mesquitas, escolas e mercados. O conflito começou em março e desde então, 3,5 mil pessoas morreram, 16 mil foram feridas e mais de 1 milhão abandonaram suas casas.

Segundo o Ocha, ataques aéreos, combates, redução das importações, redução dos estoques de comida e combustível e colapso dos sistemas de água, saúde e educação, transformaram o Iêmen numa "catástrofe humanitária".

Cerca de 80% da população do país, ou 21 milhões de pessoas, necessitam de ajuda humanitária. Mas apenas 4,4 milhões receberam assistência, porque falta dinheiro para ajudar a todos.

O Ocha informou que mais de 2 milhões de civis receberam comida; 33 mil crianças desnutridas foram tratadas e 3,3 milhões receberam serviços de água e de saneamento.

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