ONU: investir em igualdade de gênero é vital para desenvolvimento

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Secretário-geral fez avaliação em evento paralelo à 3ª Conferência Internacional sobre Financiamento para o Desenvolvimento; encontro acontece em Adis-Abeba, capital da Etiópia, até quinta-feira.

Evento paralelo da ONU Mulheres e do Banco Mundial sobre financiamento para igualdade de gênero. Foto: ONU/Eskinder Debebe

Laura Gelbert, da Rádio ONU em Nova York.

O secretário-geral da ONU afirmou que mais investimentos em igualdade de gênero são vitais para o mundo alcançar crescimento econômico e desenvolvimento sustentável.

A declaração foi feita durante a 3ª Conferência Internacional sobre Financiamento para o Desenvolvimento, em um evento paralelo da ONU Mulheres e do Banco Mundial sobre financiamento para igualdade de gênero. O encontro acontece em Adis-Abeba, capital da Etiópia, até quinta-feira.

Objetivos do Milênio

Para Ban Ki-moon, "está claro" que não houve investimentos suficientes na área. Ele disse ainda que "lacunas persistentes em igualdade de gênero e empoderamento de mulheres no mundo têm sido uma barreira para o cumprimento pleno de cada um dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio", ODMs.

O chefe da ONU mencionou que, atualmente, menos de 10% da assistência oficial ao desenvolvimento é voltada para mulheres. Ele disse ainda que muitas políticas de igualdade de gênero permanecem sem recursos domésticos.

O cumprimento de obrigações fiscais existentes também pode fornecer recursos significativos do setor privado para este propósito, segundo Ban. Ao mesmo tempo, a comunidade empresarial teria um papel fundamental na criação de empregos decentes, pagamento equivalente e apoio à liderança das mulheres.

O secretário-geral mencionou ainda que a Agenda de Ação de Adis-Abeba, como é conhecido o resultado esperado da conferência, é clara sobre a necessidade de se investir em políticas e leis que garantam os direitos iguais das mulheres e sua participação e liderança na economia.

Crescimento Econômico

O presidente do Banco Mundial falou no evento que a igualdade de gênero não seria apenas uma condição, mas um poderoso motor de crescimento econômico que pode ajudar a trazer justiça social.

Jim Yong Kim mencionou que apesar dos avanços feitos recentemente em áreas como educação e mortalidade materna, o mundo ficou aquém na equiparação dos bens, redimentos e empregos das mulheres aos dos homens.

Destacando a necessidade de uma "nova mentalidade de financiamento", ele falou que assistência é fundamental, mas agora também é o momento de alavancar novas formas de financiamento de fontes públicas, privadas, domésticas e internacionais.

Kim destacou a importância de coletar impostos de maneira "justa, eficiente e transparente". Ele disse ainda que "quando as mulheres ganham mais, as finanças públicas melhoram e os lucros comerciais sobem por conta do aumento da demanda e da produtividade".

Fim da Pobreza Extrema

O presidente do Banco Mundial afirmou ainda que apenas empoderando mulheres e dando a elas oportunidades iguais e salários iguais para trabalhos iguais, esta pode ser "a primeira geração na história a acabar com a pobreza extrema durante o período de sua vida".

Antes da conferência em Adis-Abeba, a ONU Mulheres fez um chamado por financiamento para acabar com a igualdade de gênero até 2030.

Discriminação

A agência acrescentou que além de aumentar o valor do financiamento, através de assistência oficial ao desenvolvimento e recursos domésticos, como tributação, os países devem adotar políticias públicas para abordar as causas e consequências da desigualdade de gênero e discriminação.

Assim, o órgão defende que as mulheres devem participar plenamente na tomada de decisões em todos os níveis. Além disso, medidas devem ser tomadas para integrar a questão de gênero ao planejamento nacional e processos orçamentários.

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