ODMs são o movimento contra pobreza de maior sucesso da história

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Secretário-geral da ONU afirmou que o compromisso dos líderes mundiais em 2000 inspirou a criação de oito Objetivos de Desenvolvimento do Milênio; metas ajudaram a tirar mais de 1 bilhão de pessoas da pobreza extrema; apesar dos avanços, muito ainda precisa ser feito.

O objetivo número 1 é a erradicação da fome e da pobreza extrema. Foto: Pnud

Edgard Júnior, da Rádio ONU em Nova York.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou que a mobilização global por trás dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, ODMs, produziu o movimento contra pobreza de maior sucesso da história.

A declaração de Ban foi feita para marcar o lançamento, nesta segunda-feira, do relatório 2015 sobre o progresso das ODMs. O documento não cita países específicos, mas sim os progressos alcançados por regiões em desenvolvimento.

Da Noruega, em pronunciamento feito por videoconferência, o secretário-geral disse que o documento comprova que os esforços globais para alcançar as metas do milênio salvaram milhões de vidas e também melhoraram as condições de milhões de pessoas no mundo.

O chefe da ONU disse que o compromisso assumido pelos líderes mundiais no ano 2000, tinha como meta “não poupar esforços para libertar homens, mulheres e crianças das condições desumanas da pobreza extrema”.

Segundo Ban, o compromisso se transformou na criação de oito objetivos inspiradores que geraram várias medidas práticas para melhorar as perspectivas de vida e de futuro de pessoas no mundo inteiro.

O relatório mostra que ao se aproximar do fim do prazo das ODMs, em dezembro, a comunidade internacional tem motivos para comemorar, graças aos esforços globais, regionais e locais dos países.

Apesar dos avanços, o documento cita desigualdades e deficiências em muitas áreas.

Ban Ki-moon disse que o progresso não alcançou todas as pessoas, muitas ficaram para trás.

A ONU deixa claro que o trabalho não está completo e que o mundo deve continuar com a nova agenda de desenvolvimento sustentável pós-2015.

Objetivo 1

O objetivo número 1 busca a erradicação da fome e da pobreza extrema. Segundo o relatório, em 1990, 1,9 bilhão de pessoas no mundo viviam na pobreza extrema, agora são 836 milhões. A maior parte do progresso alcançado ocorreu depois do ano 2000.

Da mesma forma, há 25 anos, 47% da população global ganhava um salário de US$ 1,25 ou menos por dia, o equivalente a quase R$ 4. Essa proporção caiu para 14% em 2015.

A classe média quase triplicou entre 1991 e 2015. Esse grupo representa quase a metade da força de trabalho nos países em desenvolvimento.

Outro dado importante mostra que o número de pessoas desnutridas nas regiões em desenvolvimento caiu quase pela metade, passando de 23,3% para 12,9% durante o mesmo período.

Objetivo 2

O objetivo 2 trata da educação primária universal. No ano 2000, 100 milhões de crianças não frequentavam a escola, agora esse número caiu para 57 milhões.

As matrículas escolares aumentaram de 83% para 91% neste mesmo período.

O índice de alfabetização entre jovens de 15 a 24 anos cresceu de 83% em 1990 para 91% atualmente.

A região com maior avanço na educação primária foi a África Subsaariana, que registrou uma alta de 20% nas matrículas.

Objetivo 3

A igualdade de gêneros e o empoderamento das mulheres são os focos do objetivo 3.

Segundo o relatório, mais crianças hoje estão nas escolas comparado há 15 anos. Os países em desenvolvimento, no geral, alcançaram a meta de eliminar a disparidade de gênero em todos os níveis educacionais, primário, secundário e universitário.

No sul da Ásia, por exemplo, em 1990, para cada 100 meninos matriculados na escola primária havia 74 meninas. Hoje para cada 100 meninos, há 103 meninas matriculadas.

Em relação ao empoderamento das mulheres, elas representam 41% da força de trabalho, não incluindo o setor agrícola, em comparação aos 35% registrados em 1990.

Nos últimos 25 anos, a proporção de mulheres em trabalhos considerados vulneráveis diminuiu 13%. No caso dos homens essa redução foi de apenas 9%.

As mulheres aumentaram também a participação nos parlamentos de quase 90% dos 174 países pesquisados nos últimos 20 anos. A média de participação feminina quase dobrou durante o período. Mesmo assim, apenas um em cada cinco membros dos Parlamentos é mulher.

Objetivo 4

O objetivo 4 visa a redução da mortalidade infantil. Os dados são positivos e mostram que o índice de crianças menores de cinco anos que morreram caiu mais da metade, passando de 90 para 43 mortes para cada mil nascimentos entre 1990 e 2015.

Apesar do crescimento da população em regiões em desenvolvimento, as mortes caíram nestes últimos 25 anos de 12,7 milhões para 6 milhões.

Na África Subsaariana, a taxa de redução anual de mortes de menores de cinco anos foi cinco vezes maior entre 2005-2013 do que no período entre 1990-1995.

O relatório mostra que a vacinação contra o sarampo conseguiu evitar 15,6 milhões de mortes entre 2000 e 2013. O número de casos da doença caiu 67% neste mesmo período.

Objetivo 5

Ainda na área da saúde, o quinto objetivo busca melhorar a saúde materna. Desde 1990, a mortalidade materna caiu 45% no mundo, a maior parte dessa redução aconteceu depois do ano 2000.

Em algumas regiões essa queda foi ainda maior, como são os casos do sul da Ásia, com 64% e da África Subsaariana, com 49%.

No ano passado, o relatório disse que mais de 71% dos partos globais foram realizados por trabalhadores de saúde especializados, bem mais do que os 59% registrados há mais de duas décadas.

No norte da África, o número de mulheres grávidas que consultaram médicos aumentou de 50% para 89% durante o mesmo período. O uso de anticoncepcionais entre mulheres de 15 a 49 anos também subiu de 55% para 64%.

Objetivo 6

A sexta meta do milênio é sobre o combate ao HIV/Aids, à malária e outras doenças.

As novas infecções com HIV caíram aproximadamente 40% entre 2000 e 2013, isto é, de 3,5 milhões para 2,1 milhões.

No ano passado, 13,6 milhões de pessoas que vivem com o vírus que causa a Aids estavam recebendo tratamento antirretroviral, ART, no mundo inteiro. Em 2003, somente 800 mil pessoas tinham acesso ao medicamento.

Além disso, o ART conseguiu evitar 7,6 milhões de mortes de Aids entre 1995 e 2013.

No caso da malária, o relatório diz que nas últimas duas décadas e meia foi possível evitar 6,2 milhões de mortes causadas pela doença em crianças menores de cinco anos, principalmente na África Subsaariana.

Os casos de malária caíram de 58% para 37% neste mesmo período. Mais de 900 milhões de mosquiteiros foram distribuídos nos países mais afetados pela doença na África Subsaariana, desde 2004.

As operações para tratamento, prevenção e diagnóstico da tuberculose salvaram 37 milhões de vidas entre 2000 e 2013. A taxa de mortalidade da doença de 45% para 41% de 1990 a 2013.

Objetivo 7

O objetivo 7 quer garantir a sustentabilidade do meio ambiente. O relatório mostra que desde 1990, as substâncias químicas que destroem a camada de ozônio foram praticamente eliminadas.

Com isso, os especialistas acreditam que a camada de ozônio, que protege a Terra contra os raios ultravioleta emitidos pelo sol, terá condições de se recuperar até meados deste século.

Nos últimos 25 anos, mais áreas marinhas e terrestres foram protegidas. Na América Latina e no Caribe, a proteção dessas regiões aumentou de 8,8% para 23,4% do território.

O acesso à água potável também registrou uma alta significativa desde 1990 até agora, passando de 76% para 91% da população global. Há mais de duas décadas 2,3 bilhões de pessoas tinham água encanada em suas residências, hoje são 4,2 bilhões.

Em todo o mundo, 147 países atingiram a meta de acesso à água potável, 95 conseguiram atingir a meta de saneamento básico. O índice de pessoas que fazem suas necessidades ao “ar livre” caiu quase pela metade.

Nos grandes centros urbanos, a população que vive em favelas também sofreu uma redução, passando de quase 40% em 1990 para 29,7% no ano passado.

Objetivo 8

E para finalizar, o oitavo objetivo trata de uma parceria global para o desenvolvimento. A ajuda financeira para desenvolvimento feita pelos países desenvolvidos aumentou 66% entre 2000 e 2014, passando de US$ 80 bilhões para US135,2 bilhões.

Neste momento, 95% da população mundial tem acesso ao sinal de internet wifi ou de telefone celular.

O número de celulares aumentou quase 10 vezes desde 2000, passando de 738 milhões para mais de 7 bilhões agora.

O alcance da internet seguiu o mesmo caminho. Há 25 anos apenas 6% da população global tinha acesso online, atualmente, esse índice chegou a 43%, isso significa que 3,2 bilhões de pessoas no mundo.

Futuro

Mas o relatório deixa claro que apesar de muitos sucessos, os mais pobres e os mais vulneráveis estão ficando para trás.

O documento diz que as desigualdades de gênero continuam com as mulheres tendo dificuldades de acesso a maior participação econômica e ao mercado de trabalho.

Existem grandes diferenças também entre os mais pobres e os mais ricos e entre os que vivem em áreas urbanas e rurais.

Segundo a ONU, a mudança climática e a degradação ambiental minam todos os progressos alcançados até agora e a população mais pobre é a que mais sofre com essa situação.

Rio de Janeiro

As emissões globais de dióxido de carbono aumentaram mais de 50% desde 1990. Aproximadamente 5,2 milhões de hectares de floresta foram devastados em 2010, só para comparar, isso representa uma área maior do que a do estado do Rio de Janeiro.

O relatório afirma que os conflitos armados continuam sendo a maior ameaça ao desenvolvimento humano. Cerca de 800 milhões de pessoas ainda vivem na pobreza extrema, passam fome e não têm acesso aos serviços básicos.

A ONU explica que os sucessos alcançados com os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, ODMs, provaram que a ação global funciona.

Segundo o documento, essa ação é o único caminho para assegurar que a nova Agenda de Desenvolvimento Sustentável pós-2015 não deixe ninguém para trás.

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JORNAL DA ONU - 5 MIN, 13 DE DEZEMBRO DE 2017
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