Iêmen: ONU preocupada com piora da situação de direitos humanos

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Equipe documentou violações e abusos por todas as partes no conflito; agência da ONU para Refugiados renovou pedido para que as vidas de civis sejam respeitadas; ataque no fim de semana deixou 12 refugiados mortos.

Escola destruída pelo conflito no Iêmen. Foto: Unicef/Mohammed Mahmoud

Laura Gelbert, da Rádio ONU em Nova York.

O Escritório de Direitos Humanos da ONU expressou "profunda preocupação" com a piora da situação humanitária e de direitos humanos no Iêmen, onde os civis "continuam sofrendo o pior impacto do conflito".

Entre 17 de junho e 3 de julho, pelo menos 92 civis, incluindo 18 mulheres e 18 crianças foram mortos e outros 179 feridos no país. Desde 27 de março deste ano, o número de civis mortos chegou a 1.528 e 3.605 ficaram feridos.

Abusos

Mais de 1 milhão de civis se tornaram deslocados internos ou buscaram refúgio em países vizinhos desde o início do conflito.

Nas últimas semanas, a equipe do Escritório da ONU na região, foi capaz de documentar violações de direitos humanos, abusos e violações do direito humanitário internacional por todas as partes no conflito.

Estas ações incluem "violações ao direito à vida, sequestro, maus tratos, restrições à liberdade de expressão e reunião pacífica, ataques a trabalhadores humanitários, equipes e instalações médicas, assim como a jornalistas e organizações da mídia".

Execução

O Escritório do Alto Comissariado da ONU para Direitos Humanos também afirmou ter recebido "relatos preocupantes" de que "comitês populares de resistência associados ao presidente exilado Abd Rabbo Mansour Hadi executaram sumariamente pelo menos seis pessoas identificadas como leais à coalização Houthi-Saleh e cometeram maus tratos".

O órgão também afirmou estar "muito preocupado" com crescentes ataques a locais religiosos e mencionou ainda danos ou destruição à infraestrutura, como hospitais, escolas, tribunais, instalações de geração de energia e instituições de comunicação.

O Alto Comissariado também está monitorando ações contra escritórios das Nações Unidas e citou que um civil foi ferido em bombardeio aéreo que atingiu a instalação do Programa da ONU para o Desenvolvimento, Pnud, em Áden.

Acesso Humanitário

O acesso humanitário permanece "gravemente restrito" pela violência recente. Desde o início do conflito, restrições por terra, ar e mar reduziram de forma drástica as importações, incluindo itens essenciais, como comida.

O Escritório também afirmou ter recebido relatos de "restrições muito sérias ao acesso humanitário em Áden, Al-Dhali, Taiz e Lahj, onde comitês populares filiados aos Houthis e forças armadas leais ao ex-presidente Ali Abdalla Saleh criaram postos de inspeção controlando a entrada e saída de mercadorias".

Além da insegurança nas estradas e do bloqueio do acesso à comida e à água potável, restrições de movimento foram impostas aos civis. A escassez de combustível, medicamentos e itens médicos chegou a níveis críticos.

O órgão, mais uma vez, fez um apelo a todos os lados do conflito que garantam que as leis internacionais humanitária e de direitos humanos sejam respeitadas. O Escritório pediu ainda a garantia de que todas as medidas possíveis sejam tomadas para a proteção dos civis.

Respeito à Vida

Também nesta terça-feira, o Alto Comissariado da ONU para Refugiados, Acnur, renovou seu pedido para que as partes em conflito no Iêmen "respeitem a vida dos civis, após um ataque com foguetes no fim de semana a um jardim de infância em Áden".

A ação, na noite de 4 de julho, deixou 12 refugiados mortos: 11 somalis e um etíope, entre eles cinco crianças.

Outros 12 refugiados ficaram feridos e permanecem no hospital. Desde 2011, o jardim de infância Al Tadamon tem sido apoiado pelo Acnur. Desde o fechamento de escolas em todo o país no fim de maio, todos os 12 quartos do local têm abrigado famílias de refugiados.

Refugiados

Para o Acnur, refugiados e deslocados estão entre os mais vulneráveis no Iêmen.

Segundo estimativas da agência, no momento há mais de 1 milhão de deslocados internos no país, cerca de 250 mil refugiados e mais de 21 milhões de pessoas que precisam de ajuda.

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