Unmiss cita abusos de direitos humanos durante escalada dos combates

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Missão da ONU afirmou ter encontrado evidências de violações supostamente cometidas pelo Exército Popular de Libertação do Sudão, Spla, e grupos armados associados durante recente escalada dos combates no estado de Unidade.

Sul-sudaneses deslocados. Foto: Unmiss/JC McIlwaine

Laura Gelbert, da Rádio ONU em Nova Iorque.

A Missão das Nações Unidas no Sudão do Sul, Unmiss, afirmou ter encontrado evidências de abusos generalizados dos direitos humanos supostamente cometidos pelas forças armadas sul-sudanesas e grupos armados associados.

As violações teriam acontecido durante a recente escalada dos combates no estado de Unidade.

Entrevistas

Equipas da Unmiss entrevistaram 115 vítimas e testemunhas dos condados de Rubkona, Guit, Koch, Leer e Mayom onde o Exército Popular de Libertação do Sudão, Spla lançou, no fim de abril, uma grande ofensiva contra forças armadas de oposição.

Os sobreviventes destes ataques relataram que o Spla e milícias aliadas realizaram uma campanha contra a população local, a matar civis, saquear e destruir aldeias e deslocar mais de 100 mil pessoas.

Algumas das alegações "mais preocupantes" compiladas pelos especialistas em direitos humanos da Missão da ONU davam enfoque ao rapto e abuso sexual de mulheres e meninas. Segundo relatos, algumas delas foram queimadas vivas em suas casas.

Crueldade

O relatório da Unmiss afirma que "esta recente escalada nos combates não foi apenas marcada por alegações de mortes, estupros, sequestros, saques, incêndios criminosos e deslocamento, mas por uma nova intensidade e brutalidade".

Segundo o documento, "o escopo e o nível de crueldade que tem caracterizado os relatos sugere uma profundidade de antipatia que excede diferenças políticas".

Acesso Negado

A Missão da ONU buscou visitar os locais das supostas atrocidades para verificar as alegações, mas além de obstáculos logísticos, em muitas ocasiões teve acesso negado pelo Spla.

Desde que o relatório foi produzido, especialistas em direitos humanos da Unmiss visitaram dois outros locais onde supostamente teriam ocorrido atrocidades. A equipa também conduziu mais entrevistas com vítimas e testemunhas.

Segundo a Missão, as informações recolhidas nestas visitas forneceram evidências adicionais que corroboram relatos anteriores.

Revelar a Verdade

A representante especial do secretário-geral no Sudão do Sul e chefe da Unmiss pediu ao Spla que permita que os especialistas em direitos humanos tenham acesso aos locais onde houve relatos de violações.

Para Ellen Margrethe Loej, "revelar a verdade do que aconteceu oferece a melhor esperança para garantir prestação de contas para violência tão terrível e encerrar o ciclo de impunidade que permite que esses abusos continuem".

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