Unicef: violações graves contra crianças cresceram 75% no Iraque

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Abusos no período de um ano incluem mortes, violência sexual e ataques a escolas; este mês marca um ano do início da violência no país; segundo o representante da agência, crise atinge mais de 8 milhões de pessoas.

Imagem de um campo de deslocados internos em Al-Jamea, Bagdá, onde 97 famílias da província de Anbar acharam abrigo temporário. Foto: ©Unicef/ Iraq/2015/Khuzaie

Laura Gelbert, da Rádio ONU em Nova York.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, afirmou nesta terça-feira que houve no último ano um aumento de 75% nas violações graves a crianças no Iraque.

Os abusos incluem mortes e mutilações, sequestros, recrutamento como soldados, violência sexual, ataques a escolas e acesso humanitário negado.

Milhões de Pessoas

Este mês marca um ano do início da ampla violência em todo o país. O representante interino do Unicef no Iraque, Colin MacInnes, falou a jornalistas que não era possível prever que em um ano haveria uma "crise violenta que tem afetado mais de 8 milhões de pessoas.

A violência levou ao colapso do sistema de saúde, de educação e de segurança pública. A agência da ONU também destacou a difícil situação das crianças.

No ano escolar de 2014-2015, mais de 650 mil menores não receberam nenhuma forma de escolaridade e mais de 3 milhões não participaram do ciclo escolar regular.

Gravidade

MacInnes disse ainda que a velocidade e escopo da crise têm sido muito graves. O acesso de famílias a itens básicos foi muito impactado. Recentemente, cerca de 3 mil pessoas têm sido deslocadas da província de Anbar a cada semana.

O representante do Unicef afirmou que estas pessoas precisam de "proteção, água, higiene, abrigo e itens alimentares básicos". Ele disse ainda que até o final do ano, 10 milhões de pessoas podem ser afetadas e precisar de assistência humanitária.

Financiamento

Segundo MacInnes, sem capital adequado, o Unicef "não poderá fornecer água às pessoas que continuam sendo deslocadas pela violência em todo o país, ou ajudar as 650 mil crianças que não foram à escola este ano a continuarem seus estudos quando o novo ano escolar começar em dois meses".

Ele afirmou que até o momento, a agência recebeu promessas de doadores que chegam a "20% de suas necessidades imediatas e vitais"

A agência da ONU estava pedindo US$ 48 milhões, o equivalente a cerca de RS$ 150 milhões, para fornecer serviços de emergência até o final do ano.

O representante acrescentou que cerca de 40% do deslocamento no Iraque foi na região autônoma do Curdistão. Com a violência em curso e deslocamento contínuo, a capacidade de atores nacionais de fornecerem assistência estava diminuindo a cada dia.

Acesso

MacInnes foi perguntado sobre que acesso o Unicef e outras instituições humanitárias tinham em áreas controladas pelo grupo Estado Islâmico do Iraque e do Levante, Isil, também conhecido como Daesh.

O representante afirmou ser "muito desafiador" chegar a áreas que "continuam a testemunhar violência".

Ele disse que em alguns casos, "atores humanitários recebem acesso intermitente" e que "o acesso direto muitas vezes não é possível".

MacInnes afirmou que o Unicef recebe "relatos de diversas violações de direitos humanos, incluindo de pessoas deslocadas saindo destas áreas que são muito preocupantes, mas difíceis de serem verificados".

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