Unicef alerta que "milhões de crianças pobres estão ficando para trás"

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Relatório da agência da ONU afirma que comunidade global deve ter como foco os menores mais desfavorecidos na agenda de desenvolvimento pós 2015; crianças pobres têm o dobro do risco de morrer até completar cinco anos.

Crianças sírias. Foto: Unicef/Mujahed Alkhamri

Edgard Júnior, da Rádio ONU em Nova York.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, alertou que apesar dos avanços conquistados até agora milhões de crianças mais pobres no mundo estão ficando para trás.

A conclusão consta do relatório "Progresso para Crianças: Além das Médias" lançado esta terça-feira em Genebra.

Comunidade Global

Segundo o Unicef, "a comunidade global pode fracassar na ajuda a milhões de menores se não tiver como foco as crianças mais pobres na agenda de desenvolvimento pós-2015".

O diretor-executivo da agência da ONU, Anthony Lake, afirmou que os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, ODMs, ajudaram o mundo a alcançar importantes progressos para as crianças.

Mas ao mesmo tempo, Lake disse que os ODMs mostraram quantas crianças estão sendo deixadas para trás.

O chefe do Unicef declarou que "as vidas e o futuro das crianças mais desfavorecidas importam, não apenas para elas, mas para o bem das famílias, das comunidades e das sociedades".

Risco

Segundo o Fundo para a Infância, as disparidades entre os países deixaram as crianças mais pobres com o dobro do risco de morrer antes de completar cinco anos, em comparação com as mais ricas.

O mesmo acontece para se atingir os padrões mínimos de aprendizado e leitura, onde as crianças mais pobres estão bem atrás das mais ricas.

O relatório alerta que se a comunidade internacional fracassar na ajuda a esses menores as consequências podem ser dramáticas.

Como exemplo, o documento cita que até 2030 mais 68 milhões de crianças vão morrer de doenças que poderiam ser evitadas antes de completarem cinco anos.

Desnutrição

Os especialistas calculam também que 119 milhões de crianças vão sofrer de desnutrição crônica e 500 milhões vão fazer suas necessidades a "céu aberto", sem condições mínimas de higiene.

O Fundo para a Infância diz que levará quase 100 anos para que todas as meninas das famílias mais pobres da África Subsaariana consigam completar a educação secundária.

Mas o relatório do Unicef menciona grandes avanços registrados no mundo desde 1990, como, por exemplo, o índice de mortalidade infantil de menores de cinco anos que caiu mais de 50%.

As taxas de crianças abaixo do peso e com desnutrição crônica caíram mais de 40%, o mesmo aconteceu com a mortalidade materna.

Além disso, mais 2,6 bilhões tiveram acesso à água potável e 2,1 bilhões a saneamento básico.

O relatório cita ainda a redução da diferença entre os mais pobres e os mais ricos em seis indicadores analisados pelo Unicef. Essa evolução levou a ganhos na sobrevivência de crianças e na frequência escolar.

Apesar do progresso, o Fundo para a Infância mostra que 6 milhões de crianças morrem todos os anos antes de completar cinco anos, 289 mil mulheres morrem na hora do parto e 58 milhões de crianças não frequentam uma sala de aula.

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