Riqueza dos 80 mais ricos “equivale a de 3,5 mil milhões dos mais pobres”

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Em Genebra, relator sobre pobreza extrema e direitos humanos defendeu ter havido um aumento dramático de desigualdades “entre super-ricos e o resto” nas últimas décadas; especialista revela expetativa de mudanças na Guiné-Bissau.

Extrema desigualdade. Foto: Banco Mundial.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

A riqueza dos 80 mais ricos do mundo é aproximadamente a mesma dos 3,5 mil milhões das pessoas mais pobres, disse o relator da ONU sobre pobreza extrema e direitos humanos.

Num discurso feito esta segunda-feira no Conselho de Direitos Humanos, Philip Alston defendeu tratar-se de um “motivo de vergonha”.

Super-ricos

O especialista citou a proporção após dizer  que o aumento dramático dos níveis de desigualdade foi “a maior mudança social nas últimas décadas”. Para ele, isso não ocorreu apenas entre ricos e pobres, mas entre super-ricos e o resto.

Alston afirmou que os 40% dos menores beneficiários da distribuição de renda em muitos casos regrediram. Para o perito, a situação deve-se às atuais escolhas políticas e “as tendências continuam a aumentar dramaticamente”.

Ele disse que deve-se reconhecer que a preocupação não é apenas com a desigualdade da renda, mas com uma “série de desigualdades extremas em relação à riqueza como acesso à educação, à saúde, à habitação” e outras.

Desigualdade

Alston propôs uma resposta impulsionada não apenas por essas ameaças profundas para os direitos económicos, sociais e culturais mas também “pelo fato do gozo dos direitos civis e políticos ser prejudicado pela extrema desigualdade”.

Por último, o relator declarou que para o fim da desigualdade o Conselho deve tomar várias medidas mas pediu que o órgão fizesse mais do que apenas adotar “belas palavras”.

Para o especialista, as instituições económicas internacionais preocupam-se com o desgaste do tecido social, o enfraquecimento da confiança nas instituições, a ameaça à justiça e a instabilidade macroeconómica. Outros fatores apontados foram o subaproveitamento de recursos humanos e os riscos da captura dos sistemas económicos e políticos.

Investimento na Guiné-Bissau

A Guiné-Bissau foi mencionada na nota onde o relator destacou a visita da sua predecessora Magdalena Sepúlveda, no ano passado. Os fatores críticos do país incluem a queda do investimento público em serviços sociais vitais como saúde e educação.

Na deslocação foi também constatado que os recursos naturais do país estão em risco de esgotar devido à pesca ilegal extensiva e à exploração madeireira, com graves repercussões sobre o gozo de ampla variedade de direitos humanos.

O relator observou que mulheres e meninas guineenses em especial enfrentam desafios consideráveis para sair da situação da pobreza. No país, o aprofundar da desigualdade de género ocorre quando comparadas aos homens, estas têm menor acesso aos serviços de saúde.

Desemprego

As outras áreas onde ocorre a desigualdade são na maior incidência de HIV/Sida, nos níveis mais baixos de escolarização e de alfabetização, nos rendimentos mais baixos, e nas taxas de desemprego mais elevadas.

O relator disse que as últimas eleições presidenciais abriram uma janela para a mudança na Guiné-Bissau. A expectativa é que com a eleição de José Mário Vaz seja garantida a alocação dos recursos adequados aos serviços sociais em particular à saúde, à educação e ao combate às causas profundas da pobreza.

 

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JORNAL DA ONU - 5 MIN, 12 DE DEZEMBRO DE 2017
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