Políticas para proibir migração abrem mercado para contrabandistas, alerta relator

Ouvir /

Especialista sobre direitos humanos do grupo quer que mobilidade seja o principal ativo da União Europeia; François Crépeau  disse que investir na segurança não vai conter grupos de contrabando.

François Crépeau. Foto: ONU/Jean-Marc Ferré

Eleutério Guevane, da Radio ONU em Nova Iorque.*

O relator especial sobre os direitos humanos dos migrantes disse que a União Europeia, EU, e os seus Estados-membros devem admitir que políticas para proibir a migração abrem um "novo e lucrativo mercado para grupos de contrabando".

Falando esta terça-feira no Conselho de Direitos Humanos, em Genebra, François Crépeau disse que o negócio não poderia existir sem essa proibição.

Chegadas

Ao apresentar o seu mais recente relatório ao órgão, o perito lembrou que mais de 200 mil migrantes e candidatos a asilo chegaram à Europa por mar em 2014, mais 120 mil em comparação com o ano anterior.

Em 2015, mais de 100 mil candidatos a asilo e migrantes chegaram por barco ao continente europeu, com relatos de chegadas diárias de alguns países da linha da frente.

Crépeau disse que a capacidade dos migrantes de chegar ao solo europeu apesar de um enorme investimento para segurança das fronteiras internacionais demonstra que é impossível limitá-los. Para ele, esta medida serve para capacitar traficantes de pessoas na região do Mediterrâneo.

Segurança

O perito defendeu que se a Europa insistir em concentrar a maior parte dos seus recursos na segurança não vai vencer os grupos de contrabando.

Crépeau defende que a Europa precisa destruir o negócio dos contrabandistas que foi criado quando foram montadas "as barreiras à mobilidade e as proibições". Para ele, a ação criminosa esquiva as "políticas migratórias restritivas dos Estados-Membros da UE."

O especialista advertiu que os migrantes vão entrar no continente "custe o que custar". O controlo das fronteiras da UE podia acontecer "com mais migrantes usando os canais oficiais a entrar e a permanecer na Europa".

Mobilidade

O apelo do especialista é que o bloco estabeleça uma política de migração com base nos direitos humanos, coerente e abrangente e transforme a mobilidade no seu principal ativo.

Para o relator, essa é a única forma de fazer prevalecer as fronteiras europeias, de combater o contrabando de forma eficaz e de capacitar os migrantes.

Crépeau recomenda mais políticas para reduzir danos tendo como preocupação central os direitos humanos dos migrantes. A outra sugestão é que se criem opções de mobilidade inovadora regulamentadas que incentivem os migrantes e requerentes de asilo a evitar recorrer a traficantes.

Lógica

Ao invés de forçar a aceitar mecanismos que não respondem às suas necessidades, a recomendação é que se compreenda a lógica das decisões dos migrantes. A outra sugestão é criar opções de mobilidades inovadoras que vão encorajar os viajantes a evitar voltar aos traficantes.

Ao pedir políticas de acordo com as habilidades de migrantes e as necessidades do mercado de trabalho, o perito sublinhou que só desse modo a UE pode arrancar o mercado dos contrabandistas.

O Relator Especial saudou a nova agenda europeia sobre migração, mas observou que os números para reassentar refugiados não são suficientes. Ele citou também a falta de canais abertos e regulares para migrantes com poucas qualificações.

*Apresentação: Denise Costa.

Leia Mais:

Relatores da ONU criticam ações para migrantes e minorias na Europa

"Saara pode ser tão mortífero quanto o Mediterrâneo para migrantes", diz OIM

 

Compartilhe

JORNAL DA ONU - 5 MIN, 15 DE DEZEMBRO DE 2017
JORNAL DA ONU - 5 MIN, 15 DE DEZEMBRO DE 2017
Loading the player ...

SIGA A RÁDIO ONU NAS REDES SOCIAIS

 

dezembro 2017
S T Q Q S S D
« nov    
 123
45678910
11121314151617
18192021222324
25262728293031