ONU recebe pedidos diários de proteção ou a reportar abusos no Burundi

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Chefe dos direitos humanos disse que equipa recebe até 50 telefonemas do género por dia; milícias ligadas ao governo acusadas de cometer execuções sumárias, sequestros, torturas, espancamentos e ameaças de morte.

Zeid Al Hussein. Foto: ONU/Jean-Marc Ferré

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos declarou, esta terça-feira, que a sua equipa recebe entre 40 a 50 telefonemas diários de pessoas assustadas do Burundi que pedem proteção ou reportam abusos.

Em nota, publicada em Genebra, Zeid Al Hussein expressou alarme com ações cada vez mais violentas e ameaçadoras de uma milícia pró-governamental. O grupo é ligado ao movimento conhecido como Imbonerakure.

Medidas

Para o representante, esses elementos poderiam levar ao limite a situação que é “já extremamente tensa”. Às autoridades burundesas, Zeid pediu que tomem medidas imediatas e concretas para o seu controlo.

Além dos depoimentos recebidos, 47 refugiados em acampamentos nos vizinhos Ruanda e República Democrática do Congo também foram entrevistados durante semanas por funcionários de direitos humanos.

Zeid disse que alguns burundeses que deixaram o país retratam graves violações dos direitos humanos, alegadamente cometidos pela milícia.

Intimidação

Os supostos abusos incluem execuções sumárias, sequestros, torturas, espancamentos, ameaças de morte e outras formas de intimidação ocorridos na capital Bujumbura e em várias províncias.

De acordo com os relatos, as várias situações também estariam relacionadas à recusa das vítimas em fazer parte do partido Cndd-Fdd, no poder. Os depoimentos dos refugiados dão conta de ameaças registadas em portas ou em paredes das casas dos visados.

Zeid considera os relatos verdadeiramente arrepiantes, especialmente num país com uma história como Burundi. Como revelou, a equipa de direitos humanos da ONU na região recebe acusações persistentes de conivência entre membros da milícia Imbonerakure, a força policial oficial e serviços de inteligência.

Compromisso

O alto comissário considerou muito graves as alegações. Ele afirmou que mais do que nunca é essencial que as autoridades do Burundi demonstrem um compromisso com a paz.

O pedido é que estas de dissociem dos apoiantes violentos e garantam a responsabilização por qualquer crime ou violação dos direitos humanos.

Oposição

Aos líderes da oposição, o apelo do chefe dos direitos humanos é que controlem elementos violentos que possam estar a formar-se. Zeid disse haver cada vez mais sinais de esforços para coagir pessoas a apoiar ativamente aos opositores.

Zeid termina a nota a declarar que a última coisa de que o Burundi precisa é de violência após uma década de uma consolidação da paz gradual e em grande parte bem-sucedida.

Para ele, o país não deve ter uma nova guerra civil causada pela determinação implacável de um pequeno número de pessoas de manter ou ganhar o poder a qualquer custo.

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