ONU quer investigação sobre tortura em centros de interrogação do Egito

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Alto comissário falou de sete mortos e centenas de sentenciados no país desde março; no Conselho de Direitos Humanos, Zeid Al Hussein aponta situação de migrantes que seguem para a Europa como sintoma causado pelo desespero.

Conselho de Direitos Humanos. Foto: ONU/Jean-Marc Ferré

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos disse estar preocupado com a pena de morte imposta a centenas de pessoas em julgamentos em massa realizados “sem garantias processuais adequadas” no Egito.

Falando no Conselho de Direitos Humanos, Zeid Al Hussein afirmou que sete pessoas foram mortas após veredictos desde março passado. O discurso do chefe dos Direitos Humanos abriu a 29ª. sessão do órgão, em Genebra.

Centros

Zeid disse que é momento de impor uma moratória sobre a pena de morte no país. Ele também citou relatos de tortura em centros de interrogação e exortou às autoridades a “investigar minuciosamente as alegações”, com medidas adequadas.

O alto comissário declarou que deve-se acabar com as detenções e julgamentos em massa, além de libertar todos os detidos em conexão com protestos pacíficos.

Estado de Direito

O representante afirmou que é importante ter em conta que os esforços de combate ao terrorismo não darão frutos até a tomada de medidas para abordar queixas socioeconómicas, para reforçar a boa governação e para promover o Estado de direito e os direitos humanos.

Ele disse que a riqueza da cultura do Egito é ameaçada quando a sociedade civil e os defensores dos direitos humanos estão sob ataque.

Migração

O responsável mencionou a situação dos migrantes que seguem em direção à Europa, ao declarar que o fenómeno é um sintoma que tem como causa o desespero.

Zeid reiterou que a turbulência política, a repressão, a violência e a guerra tornaram-se tão generalizadas que levaram milhões de pessoas a arriscar as suas vidas em busca de relativa segurança.

Zona de Conflito

O discurso abordou também o conflito na Síria, que segundo a ONU já fez 220 mil mortos. O alto comissário disse que 7 milhões de pessoas fugiram das suas casas e outros 4 milhões deixaram o país, que tornou-se “uma zona de conflito”.

Em todo o território, três em cada quatro sírios vivem na pobreza e metade das crianças não têm educação, nutrição e aquecimento adequados.

Isil no Iraque

A situação do Iraque foi mencionada no pronunciamento, que condenou a ação do autoproclamado Estado Islâmico do Iraque e do Levante, Isil.  Zeid defendeu que o grupo continua a cometer os mais desprezíveis abusos.

Para o alto comissário é “vergonhoso” que mais de metade da ajuda humanitária levada a cerca de 8 milhões de pessoas em operações da ONU pode ser cortada poderão muito em breve, porque os Estados não vai financiá-la.

As crises na Líbia, no Iémen também mereceram atenção do chefe dos direitos humanos. Em relação ao continente africano, Zeid mencionou os ataques das milícias nigerianas Boko Haram, as crises na República Centro-Africana, no Burundi e na Eritreia.

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