Mais de 100 mil pessoas fugiram das suas casas em dois meses no Sudão do Sul

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Acnur revelou que foi interrompida a distribuição de auxílio humanitário a cerca de 650 mil pessoas; Sudão, Etiópia e Uganda receberam mais de 60 mil sul-sudaneses desde o princípio de 2015.

Deslocados internos em Juba, Sudão do Sul. Foto: ONU/JC McIlwaine

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

Mais de 100 mil pessoas foram deslocadas nos últimos dois meses devido aos intensos combates nos estados sul-sudaneses de Unidade e do Alto Nilo.

O Alto Comissariado da ONU para Refugiados, Acnur, informou esta terça-feira que também foi bloqueada a distribuição de auxílio humanitário a cerca de 650 mil pessoas. As entidades ligadas à área foram obrigadas a retirar-se das regiões afetadas.

Insegurança

Um outro fator por detrás das movimentações é a crescente insegurança alimentar. O porta-voz da agência, Adrian Edwards, disse que cerca de 60 mil sul-sudaneses fugiram para o Sudão, para a Etiópia e para o Uganda desde o princípio deste ano.

O total de pessoas que abandonaram as suas casas desde o início dos combates entre o governo e a oposição em dezembro de 2013 subiu para 555 mil. O Acnur registou um total de 1,5 milhão de deslocados.

Mais de 3,8 milhões de sul-sudaneses não têm comida suficiente, o equivalente a um terço da população do país.

Preocupação

Prevê-se um rápido aumento do número de sul-sudaneses que fogem do seu país. A preocupação é por ter sido recebido apenas 10% do valor para o Plano de Resposta Regional para os Refugiados do Sudão do Sul em 2015.

Em maio, os vizinhos Sudão, Etiópia e Uganda registaram “grande aumento” nas chegadas. Somente na semana passada, cerca de 6 mil sul-sudaneses seguiram para os estados sudaneses de Nilo Branco e Kordofan do Sul.

O Acnur disse que o Uganda recebeu 4 mil sul-sudaneses. Vários deles disseram ter fugido de combates na cidade de Malakal, no Alto Nilo. Eles relataram também o aumento da insegurança alimentar e dos preços de bens básicos na área.

Chuvas

Na preparação para um maior fluxo de refugiados, a agência da ONU revelou que são necessários mais artigos de auxílio humanitário à beira da estação das chuvas. Muitas áreas com refugiados podem tornar-se inacessíveis.

Após anunciar a construção de canais no rio Nilo Branco e estradas para áreas que albergam refugiados, a agência lembrou que condições como água e saneamento precisam de melhorias rápidas.

Futuras Chegadas

Com o apoio de parceiros, o Acnur desenvolve novos locais de acolhimento e um plano de contingência para futuras chegadas além de erguer uma ponte para ações de apoio.

O receio é que a criação de novos locais para acomodar os recém-chegados absorva os fundos para atividades essenciais como água potável, serviços de saneamento e de saúde, alimentação e abrigo.

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