Em Genebra, foco das consultas será dado ao diálogo entre iemenitas

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Enviado da ONU lembrou expectativa de cessar-fogo antes do Ramadão; ministro iemenita falou de ataques a casas de negociadores; o representante do governo discursava no Conselho de Direitos Humanos.

Ismail Ould Cheikh Ahmed. Foto: ONU.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

O enviado especial do secretário-geral das Nações Unidas para o Iémen revelou que haverá dificuldade nas consultas enquanto os representantes iemenitas não puderem chegar a acordo.

Falando a jornalistas esta terça-feira, em Genebra, Ismail Ould Cheik Ahmed afirmou que estes precisam dialogar entre si e não com as Nações Unidas. O enviado realçou que para haver acordo, as conversas devem começar e deve haver mais foco para que isso aconteça.

Princípios

Ele lembrou que as partes estipularam três grandes princípios a serem seguidos. A prioridade vai para a iniciativa de paz do Golfo e o mecanismo para a sua execução. A segunda questão é o diálogo nacional e os seus detalhes, enquanto a terceira inclui as resoluções do Conselho de Segurança.

O representante disse que a mensagem principal era recordar que os iemenitas esperam por um cessar-fogo antes do Ramadão, mesmo que este seja humanitário. Esta semana marca o início do período de jejum dos muçulmanos.

Casas de Negociadores

Entretanto, o ministro de Direitos Humanos do Iémen, Ezzedin Al-Asbahi, afirmou no Conselho de Direitos Humanos que durante a noite foram atacadas casas de alguns negociadores presentes em Genebra.

O responsável manifestou a esperança de que o órgão possa ajudar o Iémen por via diplomática, após recordar que houve dezenas de milhares de deslocados internos nas últimas semanas devido aos bombardeamentos.

Silêncio

Al-Asbahi  disse que o Iémen estava “a morrer duas vezes”, primeiro devido às balas de rebeldes, e, em seguida, pelo silêncio da comunidade internacional, daí o seu apelo para o fim da situação. No Conselho, o ministro revelou que o país pedia ajuda para o restabelecimento da ordem constitucional e para proteção dos civis.

Como revelou, a situação iemenita ameaça desestabilizar toda a região. Al-Asbahi disse que os acontecimentos no país podiam transformar-se um precedente histórico de crimes contra a humanidade se as Nações Unidas não tomarem medidas contra as milícias.

Hospitais

O ministro apontou pelo menos 10 casos documentados de desaparecimentos forçados, de agressão de instalações médicas e de desvio de combustível destinado a hospitais para uso militar.

De acordo com as Nações Unidas, 21 milhões de pessoas precisam de assistência humanitária no país com cerca de 20 milhões sem acesso à água potável.

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JORNAL DA ONU - 5 MIN, 13 DE DEZEMBRO DE 2017
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