Rádios e televisões fechadas durante protestos no Burundi serão substituídas

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Informação foi dada esta sexta-feira pelo enviado especial do secretário-geral para a região dos Grandes Lagos; segundo Unicef, cinco crianças morreram e 200 ficaram feridas desde o início dos protestos no país em 26 de abril.

Menina burundesa em acampamento para refugiados na Tanzânia. Foto: Acnur/T.Winston Monboe

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova York.*

As rádios e televisões privadas que foram fechadas durante os protestos no Burundi serão temporariamente substituídas. A informação foi dada nesta sexta-feira pelo enviado especial do secretário-geral para a região dos Grandes Lagos, Said Djinnit.

Em entrevista à Rádio ONU, de Bujumbura, o porta-voz da Missão de Observação Eleitoral das Nações Unidas no Burundi, Menub, destacou que os participantes do diálogo político estão de acordo com a medida.

Negociações

Vladimir Monteiro disse que as reuniões devem ser retomadas na próxima semana.

"Foi decidido dar continuidade às negociações depois da cimeira dos chefes de Estado da Comunidade da África do Leste, que terá lugar este domingo em Dar Es Salaam na Tanzânia. As diferentes rádios deverão formar uma única entidade para retomar as emissões. Neste caso, elas utilizariam os estúdios da Casa da Imprensa. As rádios foram destruídas e a sua recuperação levará algum tempo. A outra medida é que a justiça permita que os donos dessas rádios tenham acesso aos seus espaços e que possam trabalhar com vista à reabilitação desses órgãos."

Crianças

O Fundo da ONU para a Infância, Unicef, disse que cinco crianças morreram e 200 ficaram feridas desde o início dos protestos no país em 26 de abril. As mulheres e os menores representam "dois terços das dezenas de milhares de deslocados burundineses" nos países vizinhos.

A agência disse que está extremamente preocupada com a contínua presença de crianças em confrontos violentos no Burundi. Na nota, o Unicef lembra que todas elas têm o direito à segurança e à proteção contra a violência.

Crise Humanitária

O apelo é que crianças e jovens não sejam envolvidos em manifestações políticas, em "ações que os coloquem em risco e nem mobilizados para participar nos confrontos sob quaisquer circunstâncias".

O Programa Mundial de Alimentos, PMA está preocupado com a possibilidade da crise política se transformar numa crise humanitária. O país já enfrenta casos de insegurança alimentar.

A agência distribui alimentos e assistência nutricional a mais de 60 mil refugiados burundineses, um número que tende a crescer em Ruanda, na Tanzânia e na República Democrática do Congo.

O PMA acrescentou que com o aumento do número de desalojados, os fundos de emergência mobilizados para resposta imediata não são suficientes.

*Apresentação: Laura Gelbert.

Leia Mais:

ONU revela expectativas sobre encontro regional para debater crise no Burundi

 

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