Na ONU, ex-chanceler brasileiro fala da relação entre pobreza e epidemias

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Celso Amorim é integrante de um painel de alto nível das Nações Unidas sobre a resposta global a crises de saúde; primeira reunião do grupo aconteceu esta semana na sede da ONU.

Celso Amorim. Foto: ONU/Rick Bajornas

Laura Gelbert, da Rádio ONU em Nova York.

O ex-ministro das Relações Exteriores e da Defesa do Brasil, Celso Amorim, afirmou que é "fundamental" examinar as relações entre pobreza, sistemas de saúde e surgimento de epidemias.

Em Nova York, Amorim fez a declaração em entrevista à Rádio ONU, nesta sexta-feira. O ex-ministro participa de um painel de alto nível das Nações Unidas sobre a resposta global a crises de saúde.

Ebola

"O vírus do ebola não aparece no Champs Élysées nem em Manhattan. Ele aparece em lugares muito pobres, onde há deficiências alimentares, deficiências dos sistemas de saúde, desnutrição. E todas essas deficiências estão, por sua vez, obviamente ligadas ao grau de desenvolvimento, à pobreza dos países. Nós temos que dar muita atenção a este conjunto de fatores porque se nós atacarmos só a questão da doença, que é claro que temos que atacar também, se atacarmos só esta questão nós vamos acabar perdendo a guerra, porque um dia é o vírus do ebola, outro dia é o vírus de alguma outra coisa."

A primeira reunião do painel de alto nível aconteceu esta semana na sede da ONU. O grupo fará amplas consultas, incluindo com representantes dos países atingidos, da ONU, de instituições financeiras bilaterais e multilaterais, de ONGs, como também de instituições acadêmicas e de pesquisa e do setor privado, entre outros.

Amorim destacou ainda a desigualdade nos gastos em saúde. Ele disse que um país como a Noruega gasta mais de US$ 7 mil per capita, enquanto a Libéria, por exemplo, gasta US$ 9.

Desenvolvimento Sustentável

"O nível de gasto mínimo, considerado minimamente adequado pela OMS, a Organização Mundial da Saúde, para os sistemas de saúde é US$ 85, se não me engano, US$ 86 per capita. Se tem países que ainda tem US$ 9, então eu acho que nós tínhamos que colocar isso como um dos objetivos de desenvolvimento sustentável, fazer com que os países atinjam pelo menos esse mínimo, sair dos US$ 9 para os US$ 86. E isso requer também um pouco de ajuda internacional, bastante ajuda internacional."

O anúncio da criação do painel foi feito no dia 2 de abril. O presidente da Tanzânia, Jakaya Kikwete, lidera o grupo. Outros participantes são da Suíça, da Indonésia, de Botsuana e dos Estados Unidos.

Painel

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu que o painel faça recomendações para fortalecer sistemas nacionais e internacionais para previnir futuras crises de saúde, levando em consideração lições aprendidas na resposta ao surto de ebola.

O grupo vai contar com o apoio de uma equipe de especialistas. A expectativa é de que o relatório final seja entregue ao chefe da ONU até o final do ano.

Ban Ki-moon vai, então, disponibilizar o documento para a Assembleia Geral e tomar as medidas apropriadas.

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