Grupos armados concordam em libertar milhares de crianças em país africano

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Cálculos do Unicef são de que até 10 mil menores estejam associados a facções armadas na República Centro-Africana; além de atuarem como crianças-soldados, elas são usadas também para fins sexuais e como cozinheiros ou mensageiros.

Crianças centro-africanas. Foto: Acnur/O. Laban-Mattei

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova York.*

O Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, afirmou que os líderes de grupos armados da República Centro-Africana concordaram, nesta terça-feira, em libertar todas as crianças que fazem parte de suas tropas.

Segundo a agência da ONU, o objetivo da medida é pôr um fim imediato ao recrutamento dos menores. Estimativas do Unicef são de que entre 6 mil e 10 mil criançass estejam sob controle de grupos armados no país.

Libertação

De acordo com o Fundo, o grupo inclui crianças utilizadas como combatentes e para fins sexuais. Outras servem ainda como cozinheiros, mensageiros, entre outras funções.

O representante da agência da ONU na República Centro-Africana disse que o local é um dos “piores lugares do mundo para ser criança”.

Mohamed Malick Fall considerou a libertação “um grande passo para proteção das crianças” no país. Ele espera trabalhar com as autoridades locais para ajudar a unir as crianças de volta às suas famílias.

Declaração

O acordo, mediado pelo Unicef e seus parceiros, foi assinado durante um fórum de reconciliação na capital Bangui, que vai até o dia 11 de maio.

A meta do encontro é restaurar a paz no país. O evento reúne integrantes do governo e do parlamento, partidos políticos, organizações da sociedade civil e líderes comunitários, assim como líderes dos grupos armados.

Após assinar a declaração, as partes devem determinar um calendário para  libertar as crianças, para a sua reunificação com suas famílias e comunidades e para fornecer proteção e apoio no sentido de ajudá-las a reconstruir suas vidas.

Os líderes dos grupos armados também concordaram em dar ao Unicef e seus parceiros acesso imediato e sem restrições às áreas sob o seu controle. Dessa forma, a agência vai poder identificar e verificar o número de crianças afetadas e planejar o processo de libertação.

Crise Humanitária

Para o Unicef, depois de mais de dois a anos de violência, a República Centro-Africana ficou marcada por uma das piores, e menos visíveis, crises humanitárias do mundo.

A agência acredita que a libertação das crianças pelos grupos armados no país exigirá mais financiamento para responder à emergência.

Em 2014, o Unicef e seus parceiros asseguraram a libertação de mais de 2,8 mil crianças de grupos armados na República Centro-Africana, incluindo 646 meninas. Em 2013, o número de menores libertados pelas facções foi 500.

*Apresentação: Laura Gelbert.

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