Centenas morreram em ações dos rebeldes ADF na RD Congo, diz relatório

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Documento revela que entre os 237 civis que perderam a vida estão 65 mulheres e 35 crianças; ONU diz que ações podem ser crimes de guerra e contra a humanidade; investigação na área de Beni cobriu período até 31 de dezembro.

Mulheres e crianças afetados pela violência. Foto: Unicef.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

Um novo relatório aponta para graves violações do direito internacional humanitário cometidas pelos rebeldes das Forças Democráticas Aliadas, ADF, em Beni na República Democrática do Congo, RD Congo.

Até dezembro, combatentes do grupo rebelde formado no Uganda mataram pelo menos 237 civis. O total, contado a partir de 1 de outubro, inclui 65 mulheres e 35 crianças na região da província do Kivu do Norte.

Abusos

O estudo publicado esta quarta-feira, em Kinshasa, realça que os abusos foram perpetrados de forma “sistemática e extremamente brutal” e que estes podem vir a ser considerados crimes de guerra e contra a humanidade.

Os danos causados aos civis incluem 47 feridos, 20 raptados e dois casos de abuso sexual ocorridos em ataques realizados pelo grupo realizados em 35 aldeias congolesas.

Durante as ações, o ADF usou facas, facões, martelos e outras armas para ferir ou executar civis. O total de vítimas pode ser muito maior, realça o relatório que revela dificuldades no terreno durante a sua produção.

Destruição

O estudo destaca que parte das vítimas teve gargantas cortadas. Outros foram alvejados quando tentavam fugir, ou então queimados vivos nas suas casas. Vários casos de saques e de destruição de propriedade também foram documentados.

O estudo foi elaborado a partir de 180 depoimentos recolhidos em investigações aprofundadas feitas pela Escritório Conjunto de Direitos Humanos das Nações Unidas na República Democrática do Congo, Unjhro.

Os funcionários que avaliaram a situação no terreno reuniram fontes que incluem vítimas e testemunhas. Durante o apuramento não foi possível o acesso da equipa a algumas áreas por razões de segurança.

Forças Armadas

As violações do direito internacional humanitário e dos direitos humanos em Beni envolvem também elementos das Forças Armadas durante a sua Operação Sukola I, para combater o ADF.

O relatório revela que cerca de 300 pessoas, incluindo pelo menos 33 membros do exército, foram detidas durante os inquéritos efetuados pelas autoridades congolesas em relação aos massacres em Beni.

Morte de General

Em novembro de 2014, as autoridades detiveram dois oficiais do exército e quatro líderes do ADF  que foram depois condenados pela justiça militar congolesa. O motivo foi o assassinato do general do exército Mamadou Ndala, e a sua participação numa revolta.

O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos saudou o que considerou de passos iniciais para que seja feita justiça. Zeid Al Hussein lançou um apelo urgente às autoridades no sentido de redobrarem os seus esforços para responsabilizar os implicados na série de crimes ocorridos na área em 2014.

O relatório indica que os civis continuam a ser extremamente vulneráveis aos ataques em Beni.  O território de Iramu, também a leste do país, é também considerado um alvo das ameaças do ADF, devido a relatos das suas ações desde o início de 2015.

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JORNAL DA ONU - 5 MIN, 13 DE DEZEMBRO DE 2017
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