Boina Azul é "símbolo de esperança" para milhões de pessoas em zonas de conflito

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Avaliação é do secretário-geral das Nações Unidas em mensagem sobre o Dia Internacional das Forças de Manutenção da Paz da ONU; data é celebrada nesta sexta-feira, 29 de maio;  organização tem, atualmente, mais de 107 mil militares e policiais participando em 16 operações de paz em todo o mundo.

Boinas azuis da ONU. Foto: ONU/Logan Abassi

Laura Gelbert, da Rádio ONU em Nova York.

As operações de manutenção da paz das Nações Unidas deram vida ao objetivo da Carta da ONU de "unir forças para manter a paz e segurança internacionais". A avaliação é do secretário-geral em mensagem sobre o Dia Internacional das Forças de Manutenção da Paz da ONU. A data é celebrada nesta sexta-feira, 29 de maio.

Ban Ki-moon afirmou que "através de anos de luta e sacrifício, o icônico capacete azul ganhou seu lugar como símbolo de esperança para milhões de pessoas que vivem em áreas atingidas pela guerra".

Números

A ONU tem no momento mais de 107 mil boinas azuis uniformizados, militares e policiais, de 122 países, servindo em 16 missões.

Em seus 70 anos, as Nações Unidas estabeleceram 71 operações de paz. Segundo Ban, mais de 1 milhão de pessoas serviram como boinas azuis, ajudando países a ganhar independência, apoiando eleições "históricas", desarmando centenas de milhares de ex-combatentes, estabelecendo o Estado de Direito, promovendo direitos humanos e criando condições para que refugiados e deslocados retornem para casa".

Para o chefe da ONU, "todos devem se orgulhar destas conquistas".

Reconhecimento

A importância do reconhecimento ao trabalho dos soldados de paz da ONU também foi ressaltada pelo general Paul Cruz. Ele foi comandante das forças da Missão de Estabilização da ONU no Haiti, Minustah, no período após o terremoto que atingiu o país, em 2010.

Atualmente, o general brasileiro é diretor do Escritório para Parcerias Estratégicas para Operações de Paz da ONU. Ele falou sobre a importância do Dia Internacional das Forças de Manutenção da Paz da ONU.

"Eu julgo muito importante o reconhecimento de todos para aqueles que trabalham diuturnamente em lugares isolados, muito difíceis, sob condições bastante desafiadoras e recebem agora o reconhecimento pelo seu trabalho. O trabalho de trazer esperança às pessoas que estão em situações difíceis nos seus países".

África

A maior das operações é a Missão da ONU na República Democrática do Congo, Monusco, com mais de 20 mil boinas azuis uniformizados, entre militares e policiais.

O general brasileiro Carlos Alberto dos Santos Cruz  é o comandante das forças militares da Monusco. De Ruanda, ele falou à Rádio ONU que as lições aprendidas na operação no país africano podem ajudar missões em outros locais.

“Esta missão dá oportunidade de aplicar todas as técnicas bem como atividades militares e civis, para que se possa ajudar o governo. Sem dúvida nenhuma, noutros locais vão acontecer situações similares a aquelas que nós temos aqui, que têm uma variedade muito grande de situações, dependendo da região e do grupo armado.”

Haiti

O general José Luiz Jaborandy Jr, comandante das forças da Minustah, também conversou com a Rádio ONU.

De Porto Príncipe, capital do Haiti, ele falou sobre a importância da data celebrada nesta sexta-feira e o tema do dia este ano, "Juntos pela paz: passado, presente e futuro".

"Para nós do componente militar, nós somos apenas um pilar de uma Missão de Manutenção da Paz. É importante que todos os outros parceiros estejam presentes. Nós temos que entender a segurança, que é promovida pelas forças militares como a base sólida para a construção da estabilidade. Assim que, uma Missão de Paz está baseada em muitos setores e não apenas, obviamente, no setor militar, que tem como responsabilidade primária a conquista e a manutenção da segurança no contexto da paz."

Desafios

Na mensagem sobre o Dia Internacional das Forças de Manutenção da Paz da ONU, o secretário-geral afirmou que as "missões de manutenção de paz da ONU estão se adaptando a novas realidades" e mencionou diversos desafios.

Em outubro do ano passado, Ban estabeleceu um novo Painel Independente de Alto Nível sobre Operações de Paz.

Painel de Alto Nível

O novo painel deve fazer uma avaliação completa da situação das operações de paz da ONU e apontar necessidades futuras. O grupo discute temas como mudanças na natureza dos conflitos, mandatos, eficiência dos escritórios, desafios na manutenção da paz, direitos humanos e proteção de civis.

A equipe será liderada pelo ex-presidente do Timor-Leste, José Ramos Horta. Em entrevista à Rádio ONU em fins do ano passado, Horta afirmou que pretende ouvir a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, Cplp, sobre a revisão da arquitetura da paz e segurança das Nações Unidas.

"Eu tenho toda a intenção de ouvir, num dado momento, a Cplp, no quadro do meu mandato na comissão porque todos eles (os países-membros) passaram por diferentes experiências de manutenção de paz e restauração da paz."

Mortes

Ainda em mensagem sobre a data, Ban afirmou que o dia é "de honrar a memória dos que deram suas vidas pela causa da paz e prestar homenagem a todos os homens e mulheres que continuam seu legado servindo no terreno".

Mais de 3,3 mil boinas azuis morreram em serviço sob a bandeira da ONU, incluindo 126 no último ano. Segundo o secretário-geral, os riscos continuam a crescer com os boinas azuis sendo alvos de explosivos improvisados ou ataques terroristas complexos.

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