Altos funcionários da ONU expressam alarme com abusos no Sudão do Sul

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Comunicado exige participação de mulheres nas consultas no processo para deter violência; instalações das Nações Unidas abrigam mais de 119 mil pessoas; apelo é que prestação de contas e reconciliação fundamentem a paz.

Mulheres e crianças estão a sofrer ataques devastadores no estado de Unidade, no Sudão do Sul. Foto: Unicef Sudão do Sul/Sebastian Rich

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

Altos funcionários da ONU pediram uma solução sustentável para a crise sul-sudanesa através do diálogo inclusivo. O apelo consta de um comunicado que revela consternação “com a grande escala da natureza generalizada das violações e dos abusos relatados”.

Os assinantes são a representante especial do secretário-geral sobre Violência em Conflitos, Zeinab Bangura; a diretora-executiva da ONU Mulheres, Phumzile Mlambo-Ngcuka; e os assessores especiais sobre a Prevenção do Genocídio, Adama Dieng, e Responsabilidade de Proteger, Jennifer Welsh.

Prestação de Contas

O grupo quer que os envolvidos no conflito também promovam a paz duradoura com base na prestação de contas e na reconciliação no Sudão do Sul.

As violações citadas pelo grupo incluem assassinatos extrajudiciais, rapto de mulheres e crianças, estupro e outras formas de violência sexual, além do recrutamento, uso de crianças, saques e destruição de propriedade.

A nota revela que os combates agravaram a situação económica e humanitária já difícil no país ao reduzirem o espaço humanitário e privarem milhares de sul-sudaneses da assistência essencial.

Confrontos

Estima-se que 119 mil pessoas estejam abrigadas em instalações da ONU no Sudão do Sul. A previsão da organização é que o número de necessitados cresça para 1,9 milhões deslocados internos e 293 mil refugiados.

As Nações Unidas apontam para um aumento considerável nas últimas semanas, dos confrontos iniciados em dezembro de 2013. O conflito é marcado pela “violência brutal” contra os civis e piora o seu sofrimento em todo o país.

Destruição

O estado de Unidade é o que regista mais relatos de assassinatos generalizados, estupros, sequestros, incêndios e destruição de cidades e aldeias.

Na busca de confirmação dos relatos, foi rejeitado o acesso de monitores de direitos humanos da ONU a várias localidades por membros do Exército Popular de Libertação do Sudão, Splm/a.

Às partes no terreno, os altos funcionários lembram as suas responsabilidades de acordo com o direito internacional. O apelo é que garantam a proteção total da população civil da violência, especialmente mulheres e crianças.

Para reduzir os efeitos dos combates, o grupo instou ao Conselho de Segurança da ONU, à União Africana, à Autoridade Intergovernamental para o Desenvolvimento, Igad, e aos países vizinhos que facilitem o processo para o fim da violência.

O apelo é que as mulheres sejam consultadas e representadas no processo de paz, por serem consideradas “líderes e agentes de mudança”.

Os funcionários consideram responsabilidade coletiva da comunidade internacional a tomada de medidas decisivas para o fim do “sofrimento prolongado do povo sul-sudanês”.

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