Retomam protestos após morte de cinco pessoas no Burundi

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Ocha aponta atos de intimidação e tentativas para fechar órgãos de informação; mais de 20 mil burundeses pediram refúgio ao vizinho Ruanda; manifestações são contra tentativa de actual presidente concorrer a terceiro mandato.

Eleições no Burundi. Foto: Menub

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

O Escritório da ONU para Assistência Humanitária, Ocha, declarou que reiniciaram protestos no Burundi após a indicação do presidente Pierre Nkurunzinza como candidato presidencial pelo seu partido, Cndd-Fdd.

Desde o início dos protestos no domingo, cinco pessoas morreram. O escritório disse haver “intimidação generalizada de meios de comunicação” bem como esforços para os encerrar. A nota, publicada esta segunda-feira, menciona também tentativas de inibir ou prender ativistas de direitos humanos.

Impacto

Nas duas semanas anteriores às manifestações mais de 20 mil burundeses pediram refúgio ao vizinho Ruanda, segundo o Alto Comissariado da ONU para Refugiados, Acnur.

As Nações Unidas estão entre as entidades que alertaram Nkurunzinza  sobre o  impacto da tentativa da busca de um terceiro mandato presidencial, após ter cumprido dois desde 2005.

O argumento apresentado por eles é  que a ação seria “inconstitucional e contrária ao previsto ao espírito do Acordo de Paz e Reconciliação de Arusha”. O pacto pôs fim a uma década de guerra civil no país no ano 2000.

Tranferência

Com o Governo do Ruanda e parceiros, a agência disse que trabalha para transferir 16 mil refugiados dos centros de acolhimento de Bugesera e Nyanza para um novo acampamento em Mahama até sexta-feira.

De acordo com o Acnur,  devido às novas chegadas de refugiados o número de transferidos para o novo acampamento aumenta de forma acentuada.  Desde sexta-feira, cerca de 3 mil burundeses chegam diariamente aos locais. Antes, chegavam 500 pessoas diárias até que os centros ficaram superlotados.

Chegadas

Ao alertar que o fluxo vai continuar alto, a agência disse que 4 mil burundeses buscaram refúgio em Uvira, no leste da República Democrática do Congo. Na Tanzânia foram registadas 100 chegadas de burundeses.

Apesar de não ter havido qualquer registo de necessidades humanitárias urgentes no Burundi, o Acnur anunciou que a equipa humanitária aprovou um plano de contingência envolvendo várias agências para as próximas eleições.

Cerca de US$ 11,6 milhões foram solicitados para a preparação e resposta às necessidades de até 50 mil afetados em oito semanas. No pior dos cenários estima-se que 350 mil pessoas venham a ter necessidade de assistência humanitária durante seis meses.

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JORNAL DA ONU - 5 MIN, 15 DE DEZEMBRO DE 2017
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