OIM acredita que mais barcos possam ter afundado no Mediterrâneo

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Em sua conta oficial no Twitter, Organização Internacional para Migrações cita incidentes envolvendo três embarcações; para alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, mortes são sinal de "falha de governança" e de "falta monumental de compaixão".

Alto comissário da ONU citou que os migrantes também têm direito à asilo e pede canais legais e seguros para sua entrada na Europa. Foto: OIM

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York.

A Organização Internacional para Migrações, OIM, recebeu informação de que mais três barcos com migrantes podem ter naufragado no Mar Mediterrâneo esta segunda-feira. Um alerta sobre os novos incidentes foi divulgado na conta oficial da OIM no Twitter.

O fim de semana foi marcado por mais uma tragédia em águas internacionais, após o naufrágio de um barco de madeira que tinha saído da Líbia com pelo menos 700 pessoas.

Segundo a OIM, o incidente aconteceu enquanto um navio de carga português seguia em direção para ajudar no resgate dos migrantes.

Resgate

Mas a OIM confirmou que na noite de domingo, um sobrevivente relatou às autoridades italianas que até 950 migrantes estavam a bordo. Ainda segundo a agência parceira da ONU, quase 50 pessoas teriam sido resgatadas pela guarda costeira da Itália.

Nesta segunda-feira, o alto comissário da ONU para os Direitos Humanos fez um apelo urgente aos países da União Europeia. Zeid Al Hussein pede aos governos que tomem medidas "mais sofisticadas e corajosas" para lidar com o fluxo de migrantes que tentam entrar na Europa.

Falhas

Zeid afirmou ter ficado "horrorizado, mas não surpreso" com a tragédia do fim de semana. Segundo ele, essas centenas de mortes foram "tristemente previsíveis", resultado da "falha contínua de governança e de uma falta monumental de compaixão".

O alto comissário afirmou que parar com as operações de resgate não resultou num fluxo menor de migração, nem em menos contrabando de pessoas, mas gerou muito mais mortes no mar.

Zeid Al Hussein citou o programa italiano Mare Nostrum, encerrado em outubro, como um caso de sucesso. Mas para ele, a Operação Triton, lançada em novembro pela União Europeia, é "inadequada porque foca mais no controle de fronteiras do que em salvar vidas".

Desespero

O alto comissário pede que o programa Triton seja substituído "imediatamente por uma operação europeia forte de busca e de resgate no Mediterrâneo".

Zeid lembrou que violações dos direitos humanos estão no centro dessas travessias "desesperadas", porque quem tem comida, acesso à educação, à saúde ou não corre risco de sofrer ataques a bomba, não embarcaria nessas jornadas perigosas".

O alto comissário afirmou que a "Europa está virando as costas para alguns dos migrantes mais vulneráveis do mundo e corre o risco de transformar o mar Mediterrâneo num cemitério".

Legalização

Ele acredita que seria melhor se os países europeus reconhecessem que suas economias precisam da mão de obra de pessoas "desesperadas para contribuir" com a sociedade. Zeid citou que os migrantes também têm direito à asilo e pede canais legais e seguros para sua entrada na Europa, ao contrário do forte controle de fronteiras.

O alto comissário disse que é hora dos políticos europeus mostrarem "coragem e liderança" em salvar vidas e ter uma governança coerente sobre migração.

Na noite de domingo, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, expressou "choque e tristeza" com o barco que afundou com pelo menos 700 pessoas e também pediu um forte mecanismo de resgate para prevenir futuras tragédias no Mediterrâneo.

Segundo agências de notícias, ministros da União Europeia estão reunidos em Luxemburgo, discutindo a crise.

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JORNAL DA ONU - 5 MIN, 15 DE DEZEMBRO DE 2017
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