Especialista da ONU pede preparo para a "pior das hipóteses" no Iêmen

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Relator sobre direitos humanos dos deslocados internos, Chaloka Beyani, acredita em chance de crise de pessoas fugindo de suas casas por causa do conflito; pelo menos 311 civis foram mortos nas últimas duas semanas.

Condições precárias no Iêmen. Foto: Ocha/Eman al Awami

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York.

O Escritório do Alto Comissário de Direitos Humanos da ONU calcula que pelo menos 311 civis foram mortos no Iêmen entre os dias 26 de março e 7 de abril, incluindo 74 crianças e 14 mulheres.

O maior número de mortes ocorreu na capital do país, Sana, onde 88 civis foram assassinados. A Organização Mundial da Saúde acredita que se forem levados em conta os óbitos desde o dia 19 de março, o número de mortos passa de 600, sendo que mais de 2 mil pessoas ficaram feridas.

Crise

O especialista da ONU sobre os direitos dos deslocados internos fez um apelo à comunidade internacional esta quarta-feira. Chaloka Beyani pede preparação para a possibilidade de uma "enorme crise humanitária", com pessoas deixando suas casas fugindo do conflito.

Segundo ele, a situação no Iêmen está próxima de um "caos" e a comunidade internacional precisa se preparar para a "pior das hipóteses". Beyani destaca que é essencial buscar uma solução diplomática para a crise. Sem ela, aumentam as chances de deslocamento em massa da população.

Ajuda Médica

A possibilidade de entregar ajuda humanitária continua "severamente" restrita pela insegurança e ataques aéreos. De acordo com o Escritório de Direitos Humanos, as restrições mais sérias são em Áden, Lahj e Al Dhalee, os três distritos mais afetados pela onda de violência no Iêmen.

Para atender as emergências médicas em Saada, a OMS calcula serem necessárias três ambulâncias, combustível, medicamentos e equipamentos cirúrgicos, além de especialistas e dinheiro para cobrir as operações.

Em Áden, a falta de água, de energia e de combustível está cada vez pior. São necessárias alternativas para garantir que o abastecimento elétrico aos centros de saúde não seja interrompido e as vacinas possam ser armazenadas de forma segura.

Apelo

O chefe do Escritório de Coordenação de Assistência Humanitária da ONU no Iêmen alerta sobre a preocupação da comunidade internacional com uma possível "catástrofe no país".

Trond Jensen apela a todos os lados em conflito a respeitarem suas obrigações sob a lei internacional, a respeitarem os civis e permitirem o acesso irrestrito da entrega de ajuda humanitária.

Ele enfatizou que até mesmo antes do aumento da violência, o Iêmen já enfrentava uma crise humanitária, com mais da metade da população precisando de ajuda e mais de 10 milhões de habitantes sofrendo com insegurança alimentar.

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