Apenas 28 pessoas sobreviveram do naufrágio de sábado no Mediterrâneo

Ouvir /

Acnur cita relatos das vítimas apontando para cerca de  850 passageiros que seguiaram da Líbia; Unicef alerta para necessidade de cuidar de crianças que fazem as viagens.

Soreviventes disseram que navio tinha crianças. Acnur/F.Malavolta.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados, Acnur, disse haver apenas 28 sobreviventes entre as 850 pessoas que seguiam no navio que virou após partir da Líbia no sábado.

As vítimas contaram à agência que a embarcação tinha pelo menos 350 eritreus e cidadãos de países como Síria, Somália, Serra Leoa, Mali, Senegal, Gâmbia, Costa do Marfim e Etiópia. A porta-voz do Acnur em Catânia, na ilha Sicília, disse que relatos dos migrantes indicam que o navio tinha crianças.

Apoio Psicológico

Carlotta Sami afirmou que o grupo estava cansado, frágil eque vai precisar de apoio psicológico. Eles recebem comida e água, após ter sido oferecida roupa e assistência médica.

O Acnur saudou planos europeus para enfrentar os desafios da migração irregular no Mediterrâneo. A agência considera, entretanto, que “salvar vidas humanas no mar deve continuar a ser a prioridade”, após a morte de centenas de refugiados e migrantes.

Ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia, UE, estiveram reunidos na segunda-feira no Luxemburgo onde propuseram um plano de ação de 10 pontos sobre a migração.

Catânia

O encontro foi convocado após os naufrágios, que culminaram com o incidente considerado o “mais mortal registado pelo Acnur”. A agência confirma que o número de pessoas que perderam a vida ultrapassa 800.

Entre os sobreviventes estava um jovem de Bangladesh, que foi transportado de helicóptero para um hospital de Catânia no domingo. Na mesma área, estão as outras 27 pessoas que foram levadas pela guarda costeira italiana.

Frequência

Em nota separada, o  Fundo da ONU para a Infância, Unicef, disse que incidentes que envolvem menores no Mediterâneo estão a tornar-se muito  frequentes e com alto custo humano.

A agência realça que as crianças envolvidas nas jornadas são expostas ao abuso, à exploração e à morte. Caso sobrevivam, muitas vezes são “colocadas em condições inseguras e inadequadas e ou criminalizadas”, no que considera uma violação da Convenção sobre os Direitos da Criança.

Estatuto

O pedido da agência é que as ações sejam guiadas pelos melhores interesses de cada uma das crianças independentemente do seu estatuto de refugiado ou de migrante. O Unicef pede que crianças sejam cuidadas em “lugar seguro e não num centro de detenção”.

O apelo da agência é que estas tenham acesso a serviços como educação, saúde, serviços sociais e legais com plena aplicação das salvaguardas existentes, especialmente para os mais vulneráveis.

O Unicef pede que sejam observadas as regras já existentes na UE para os menores não acompanhados. Além disso quer o reforço das capacidades de busca e resgate, que os traficantes de seres humanos sejam levados à justiça e que sejam abordadas as causas profundas da migração nos países de origem.

Leia Mais: 

ONU teme morte de 700 migrantes em nova tragédia no Mediterrâneo

Guarda costeira italiana resgata mais migrantes no Mediterrâneo

Compartilhe

Ouvir /
JORNAL DA ONU - 5 MIN, 15 DE DEZEMBRO DE 2017
JORNAL DA ONU - 5 MIN, 15 DE DEZEMBRO DE 2017
Loading the player ...

SIGA A RÁDIO ONU NAS REDES SOCIAIS

 

dezembro 2017
S T Q Q S S D
« nov    
 123
45678910
11121314151617
18192021222324
25262728293031