Acnur preocupado com possível fechamento do campo de Dadaab

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Agência da ONU apela ao governo do Quénia que reconsidere medida; para Acnur, encerramento abrupto teria consequências humanitárias extremas; 350 mil refugiados somalis vivem no complexo.

Refugiadas somalis no acampamento de Dadaab. Foto: ONU/Evan Schneider

Laura Gelbert, da Rádio ONU em Nova Iorque.

O governo do Quénia anunciou que o campo de refugiados de Dadaab deve ser fechados em três meses e com isso, 350 mil refugiados somalis que vivem no local teriam de retornar ao seu país.

Nesta terça-feira, o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados, Acnur, apelou ao governo queniano que reconsidere a medida.

Atentado

A decisão foi anunciada no último fim de semana, após o ataque na universidade de Garissa no início do mês.

A porta-voz agência da ONU, Karin de Gruijl, falou a jornalistas em Genebra que o órgão ficou "chocado e horrorizado" com o atentado.

Segundo o Acnur, o Quénia tem "generosamente" recebido e protegido refugiados da violência na Somália há mais de duas décadas. A porta-voz declarou que agência "trabalha de forma próxima ao governo queniano e compreende a atual situação regional de segurança e a seriedade das ameaças que o país enfrenta".

O órgão "também reconhece a obrigação do governo de garantir a segurança de seus cidadãos e de outras pessoas que vivem no país, incluindo refugiados".

Consequências Humanitárias

A representante da agência destacou, no entanto, que o Acnur está "preocupado com a possibilidade de se fechar abruptamente o complexo de Dadaab e forçar os refugiados a retornarem à Somália".

Segundo Karin de Gruijl, isso teria "consequências humanitárias e práticas extremas e seria uma violação das obrigações internacionais do Quénia".

Ela afirmou que o órgão apela às autoridades quenianas que reconsidere a questão. A porta-voz declarou que a agência da ONU está "pronta para trabalhar com o governo do Quénia para fortalecer a aplicação da lei em Dadaab e apoiar outras medidas para proteger refugiados e quenianos contra a possível intrusão de elementos armados a cruzar a fronteira".

Repatriação Voluntária

Em dezembro, um projeto piloto foi lançado para apoiar pessoas que buscam a repatriação voluntária para uma das três áreas "relativamente seguras" da Somália: Luuq, Baidoa e Kismayo.

O Acnur afirmou ainda estar pronto para cooperar com os governos do Quénia e da Somália para apoiar este programa. No entanto, no momento, considera que retorno de larga escala ainda não é possível em muitas partes do país, em particular no centro-sul da Somália.

O agência da ONU reitera seu compromisso contínuo em apoiar o governo queniano na proteção de refugiados somalis daqui para frente.

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JORNAL DA ONU - 5 MIN, 18 DE DEZEMBRO DE 2017
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