14 milhões de pessoas estão deslocadas pelas crises na Síria e no Iraque

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Número foi apresentado pelo alto comissário da ONU para Refugiados, durante sessão especial do Conselho de Segurança; António Guterres avalia que a situação na Síria piorou e cita confrontos entre comunidades.

António Guterres no Conselho de Segurança. Foto: ONU/Mark Garten

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York. 

Os impactos do conflito sírio na região estão tendo "proporções dramáticas", segundo o alto comissário da ONU para Refugiados. António Guterres discursou na sessão especial do Conselho de Segurança e afirmou que já são 14 milhões de pessoas deslocadas pelos conflitos na Síria e no Iraque.

Guterres disse que "a situação no Oriente Médio é um câncer que corre o risco de se espalhar".  Enquanto alto comissário, ele explicou ser o seu papel pedir aos governos para que permitam que civis busquem proteção.

Proteção

A falta de solidariedade internacional está gerando impactos nos países que recebem refugiados sírios, com aumento das tensões entre comunidades, segundo António Guterres.

Ele lamentou que o Programa Mundial de Alimentos, PMA, tenha sido obrigado a reduzir seu programa de vale-alimentação em 30%, e na Jordânia, o programa de ajuda em dinheiro está alcançado apenas 22 mil entre 100 mil famílias necessitadas.

Migrantes

O ex-primeiro-ministro de Portugal falou novamente sobre a importância da Europa criar uma forte operação de busca e de resgate de migrantes no mar, combater traficantes de pessoas e criar alternativas legais para proteger civis, como ampliação das políticas de visto.

Segundo António Guterres, a situação no Oriente Médio está "completamente insustentável". Ele fez um apelo para algumas prioridades: fornecer mais assistência humanitária aos refugiados, acabar com as perdas terríveis de vidas no Mediterrâneo e garantir amplo apoio aos países vizinhos à Síria.

ProibiçõesO Conselho de Segurança ouviu também a subsecretária-geral da ONU para Assuntos Humanitários. Valerie Amos disse que integrantes do Estado Islâmico do Iraque e do Levante, Isil, continuam proibindo a entrega de ajuda e neste mês, até proibiram que vacinas contra a pólio fossem distribuídas a milhares de crianças.

Valerie Amos fez alguns pedidos ao Conselho de Segurança: que o órgão exija o fim dos ataques a escolas e a centros de saúde; que envie uma missão para checar a situação das famílias em áreas sitiadas; que exija a negociação de uma pausa humanitária e de "dias de tranquilidade" na Síria e para garantir que do embargo de armas seja cumprido.

Para a subsecretária-geral da ONU, a crise síria pode ter repercussões globais, por isso ela pediu ao Conselho de Segurança uma "resposta corajosa", com diálogo político que solucione o problema e acabe com a violência.

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