Unicef diz que cerca de 16 mil crianças perderam responsáveis devido ao ébola

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Relatório estima que mais de 9 milhões de menores vivem em áreas afetadas pelo surto; taxa de mortalidade atinge 95% dos bebés com menos de um ano.

Criança que perdeu responsáveis em Nzérékoré, na Guiné Conacri. Foto: ONU/Martine Perret

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

Mais de 16 mil crianças perderam um dos pais, ambos ou o cuidador principal por causa do ébola, segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef.

Um relatório sobre o impacto da epidemia nos países mais afetados, lançado esta terça-feira em Genebra, destaca que os menores compõem um em cada cinco infetados na Guiné Conacri, na Libéria e na Serra Leoa.

Serviços Básicos

Para proteger as crianças e as suas comunidades, a agência considera fundamental pôr fim à epidemia enquanto decorrem ações para repor os serviços básicos.

Nas áreas afetadas, vivem mais de 9 milhões de crianças que segundo o Unicef “têm visto mortes e sofrimento além de sua compreensão”. O relatório sublinha o papel de comunidades na resposta ao surto, ao revelar tendências encorajadoras de comportamentos seguros.

Na Libéria, por exemplo, a pesquisa indica que 72% das pessoas acreditam que uma pessoa com sintomas melhora se for atendida num centro de tratamento, o que é considerado importante porque, no princípio, estas eram mantidas em casa.

Antropólogos

O documento menciona, entretanto, haver ainda resistência em algumas comunidades onde circulam rumores, mitos e teorias da conspiração. A agência disse que apoia a ação de antropólogos sociais para convencer as pessoas a alterar algumas dessas práticas.

O impacto do ébola é considerado severo no tratamento de doenças como sarampo e malária, bem como desnutrição aguda e HIV/Sida. Metade dos hospitais da Guiné Conacri, consultas e internamentos deixaram de funcionar 2014, em comparação com o ano anterior.

Na Serra Leoa, o número de menores que recebia imunização básica caiu em mais de um quinto, além da queda de 39% dos tratados contra a malária. Em menores de cinco anos, quatro em cada cinco pessoas infetadas morreram, enquanto as taxas de mortalidade chegaram a 95% dos bebés com menos de um ano.

A preocupação do Unicef é com um possível aumento de mortes de menores de cinco anos se os serviços de saúde não forem restaurados e melhorados em breve. O estado nutricional também preocupa com as medidas de quarentena que influenciaram a queda de receitas e dos padrões comerciais.

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