Um quinto de meninas sofreu abuso sexual no Malaui, diz Unicef

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Pesquisa revela que a violência transformou-se em norma social  no país africano; união da família é pretexto para a crença de que mulheres devem aceitar violência no lar.

Mulheres acreditam que devem suportar a violência. Foto: ONU/Martine Perret

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

O fraco acesso aos serviços para atender vítimas de abuso e o facto de a violência ter-se tornado uma norma social são algumas das constatações de um estudo sobre o Malaui a ser lançado esta quarta-feira.

No país, dois em cada três cidadãos teve uma experiência de violência na infância e um quinto das meninas sofreu abuso sexual antes dos 18 anos.

Violência Física

O estudo intitulado Violência Contra Crianças e Mulheres Jovens destaca ainda que quase dois em cada três meninos sofreram violência física antes de atingir os 18 anos.

A representante especial do secretário-geral sobre Violência contra Crianças está no Malaui para testemunhar o lançamento da pesquisa.

Marta Santos Pais disse que a falta de dados sobre a violência contra crianças e mulheres tem sido um grande obstáculo para a ação eficaz com vista a combater o problema no país.

Formas de Violência 

A responsável realçou que a eliminação de todas as formas de violência contra crianças deve ser um indicador principal do desenvolvimento social e uma referência para todos os setores do governo.

Entre as áreas a serem abrangidas ela destacou o orçamento e os mecanismos de coordenação que “devem ter um acompanhamento claro e um plano de avaliação, incluindo o relatório independente ao Parlamento sobre o progresso além de manter a dinâmica”.

Vítimas

O representante do Unicef no Malaui disse que as percentagens e as taxas levam facilmente à dispersão e à perda de sensibilidade quanto ao assunto.

Mahimbo Mdoe exlicou que os 7% de meninas forçadas a ter relações sexuais na infância equivalem a 315 mil. Por outro lado, os 6,5% de meninos abusados fisicamente até ficarem feridos correspondem a cerca de 300 mil vítimas.

O estudo revela que 42% de mulheres jovens consideram aceitável que um marido bata na esposa em determinadas circunstâncias. Cerca de quatro em cada dez mulheres jovens acreditam que estas devem suportar a violência para manter a família unida.

Leia Mais: 

ONU lança relatório sobre violência contra crianças em África

Entrevista: Marta Santos Pais 

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JORNAL DA ONU - 5 MIN, 15 DE DEZEMBRO DE 2017
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