Sudão do Sul já tem 800 mil crianças a viverem deslocadas pela violência

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Unicef alerta que conflito ocorre há 15 meses, com o recrutamento de 12 mil menores para lutarem nos combates; total de crianças a sofrer de má nutrição chega a 229 mil.

Foto: Unicef Sudão do Sul/2015/Mariantonietta Peru

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova Iorque.

O Sudão do Sul enfrenta um conflito há 15 meses e o Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, considera a situação "estável, porém frágil". Mais de 800 mil crianças necessitaram abandonar suas casas e continuam a viver deslocadas no país. Outras 344 mil estão refugiadas em nações vizinhas.

Esta sexta-feira, em Genebra, o Unicef divulgou os números e alertou ter pouca esperança de melhoras, uma vez que os confrontos seguem em várias partes do país. Os menores enfrentam má nutrição, falta de acesso à água, saneamento, educação e saúde.

Pressão

Mas a agência da ONU afirma que uma questão é "profundamente perturbadora": as crianças-soldado. Mais de 12 mil foram recrutadas por todos os lados em conflito e o Unicef quer pressão internacional para o fim da prática.

O Unicef recebeu informações confiáveis de que "forças aliadas ao governo e à oposição raptaram ou coagiram centenas de crianças para suas fileiras de combate apenas nos últimos meses".

A situação é pior nos estados de Alto Nilo e Unidade, onde centenas de menores foram levados de uma aldeia e apesar de apelos do governo e da milícia de Johnson Oloni, os miúdos ainda não foram libertados.

Métodos

O Unicef explica que os recrutamentos continuam e dois métodos foram verificados. Chefes de clãs oferecem crianças como "contribuições" para lutar. O outro envolve soldados a prender meninos e homens em suas casas, em mercados e outros locais públicos.

A agência lembra ao governo e à oposição que o recrutamento para o combate é uma grave violação dos direitos das crianças. Foi ressaltada ainda a resolução aprovada pelo Conselho de Segurança no dia 3 de março, onde o recrutamento de crianças-soldado foi identificado como um critério para a imposição de sanções no Sudão do Sul.

Educação e Comida

No estado de Jonglei, o Unicef está a fornecer reintegração para crianças que foram liberadas das frentes de combate e a Facção Cobra afirmou que poderá soltar em breve 3 mil crianças-soldado. Os menores que já foram libertados recebem abrigo, roupas, serviços de saúde e assistência psicológica.

Mas os problemas para os menores no Sudão do Sul também são outros: em áreas afectadas pelo conflito, 70% das 1,2 mil escolas não estão a funcionar porque os estabelecimentos foram destruídos por grupos armados.

O Unicef afirma estar a fazer um grande esforço para garantir que 400 mil crianças voltem às salas de aula este ano. Em termos de alimentação adequada, mais de 229 mil crianças estão a sofrer de má nutrição aguda severa.

No ano passado, o Unicef tratou mais de 94 mil crianças menores de cinco anos de idade que sofriam de má nutrição e desde janeiro, mais de 13 mil foram beneficiadas. Mas a agência quer ampliar a assistência este ano para 138 mil.

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JORNAL DA ONU - 5 MIN, 15 DE DEZEMBRO DE 2017
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