Síria: queda na expectativa de vida e iminente colapso econômico

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Avaliação está em novo relatório produzido com o apoio do Pnud e da Unrwa, duas agências da ONU; quase 4 milhões de sírios fugiram do país;  OMS fez doação de 30 clínicas móveis para pessoas que precisam e em locais de difícil acesso.

Menina síria em prédio destruído pelos confrontos. Foto: Unwra/Taghrid Mohammad

Laura Gelbert, da Rádio ONU em Nova York.

Um novo relatório sobre o impacto da crise na Síria revela a extensão de retrocessos em desenvolvimento humano e econômico com a guerra no país.

O documento foi produzido pelo Centro Sírio de Pesquisa Política, Scpr, com o apoio de duas agências da ONU: o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, Pnud, e a Agência da ONU de Assistência a Refugiados Palestinos, Unrwa.

População

Após quatro anos de conflito armado, quase 4 milhões de sírios fugiram do país, 1,5 milhão migraram para buscar emprego em outro local e mais de 6 milhões, cerca de 40% da população, são deslocados internos.

Ainda segundo a Unrwa, o relatório reflete o efeito "catastrófico e desumano" do conflito no país. O órgão afirma que a população da Síria, incluindo 560 mil refugiados palestinos, está vivendo sob um "trágico estado de exceção".

A expectativa de vida foi reduzida em mais 20 anos, de 79,5 anos em 2010 para 55,7 em 2014.

Economia 

A agência afirma também que o conflito acelerou a reversão dos ganhos de desenvolvimento humano conquistados pela Síria até 2010, quando seu Índice de Desenvolvimento Humano foi revertido em 31%.

Desde o início do conflito, a economia síria perdeu cerca de US$ 202 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 621 bilhões, através de fuga de capitais, destruição maciça e perda de cerca de US$ 120 bilhões do Produto Interno Bruto, PIB, entre outras questões.

Emprego

Como resultado desta "contração arrasadora", o país está sendo confrontado com uma taxa de desemprego de 58%. Cerca de 2,9 milhões de pessoas perderam seus empregos e mais de 12 milhões de dependentes perderam seus meios de subsistência. Dos que ainda têm um emprego formal, 55% trabalham no setor público.

De acordo com a Unrwa, quatro em cada cinco sírios estão vivendo abaixo da linha nacional de pobreza, com quase dois terços da população sobrevivendo em situação de extrema pobreza.

Cerca de 30%  são incapazes de satisfazer suas necessidades alimentares básicas. Nas zonas de conflito, as pessoas enfrentam fome, desnutrição e até inanição. Metade de todas as crianças em idade escolar não frequentou às salas de aula nos últimos três anos.

Números

Ainda segundo a Unrwa, os sistemas de saúde, educação e bem-estar social estão em "estado de colapso". Intervenções humanitárias feitas por agências da ONU, ONGs e outros órgãos são incapazes de manter o ritmo com o rápido aumento da assistência necessária.

Durante este período, 6% da população foram mortos, mutilados ou feridos no conflito. Com a intensificação do confronto em 2014, o número de vítimas fatais subiu para 210 mil. O número de feridos cresceu para 840 mil.

Clínicas Móveis

Com a crise na Síria entrando em seu quinto ano neste mês, a Organização Mundial da Saúde, OMS, continua fornecendo apoio humanitário e de saúde.

Recentemente, a agência fez uma doação de 30 clínicas móveis para servirem a populações carentes e pessoas em áreas de difícil acesso.

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