Pinheiro: "É escandaloso que a impunidade prevaleça na Síria"

Ouvir /

Presidente da Comissão de Inquérito sobre o país fez a declaração depois da apresentação do relatório ao Conselho de Direitos Humanos; Paulo Sérgio Pinheiro citou a demora do Conselho de Segurança em enviar o caso para o TPI.

Paulo Sérgio Pinheiro. Foto: ONU/Jean-Marc Ferré

Edgard Júnior, da Rádio ONU em Nova York.

O presidente da Comissão de Inquérito sobre a Síria, Paulo Sérgio Pinheiro, apresentou esta terça-feira o nono relatório ao Conselho de Direitos Humanos sobre a situação no país.

De Genebra, em entrevista à Rádio ONU, ele falou sobre a crise síria.

Escandaloso

"É escandaloso que a impunidade continue a prevalecer na Síria porque o Conselho de Segurança não teve condições de, novamente, considerar a remessa do caso para o Tribunal Penal Internacional, TPI. Em segundo lugar, já estamos entrando no quinto ano da guerra e, evidentemente, continua cada vez mais claro que só uma negociação diplomática chegará ao fim do conflito. E finalmente, chamamos a atenção para os ataques de todos os lados (forças do governo e grupos armados) em não respeitar a proteção da população civil."

Pinheiro falou ainda sobre a divulgação da lista de autores de crimes na guerra na Síria.

"Nós, neste momento, não estamos publicando as listas, mas estamos recomendando que estamos à disposição dos Estados para cooperação em termos de compartilhar nomes de perpetradores que estão nas nossas listas."

O presidente da comissão de inquérito disse que o governo da Síria continua se recusando a dar acesso ao grupo. Ele rebateu as acusações do governo sírio que disse que a comissão não divulgou todas as informações relativas à situação interna.

Vítimas

Pinheiro afirmou que a comissão não "toma partido nesse tipo de trabalho, não apoia o governo nem os outros grupos envolvidos na crise". Segundo ele, a única posição é a das vítimas desse conflito.

No Conselho de Segurança, o presidente da comissão afirmou que os civis têm sido as principais vítimas da guerra e são tratados como "alvos legítimos" tanto pelas forças do governo como pelos grupos de oposição, extremistas e terroristas.

Paulo Pinheiro disse que há uma obrigação para se acabar com a guerra e que a comunidade internacional deve se unir e encontrar uma solução diplomática para o conflito.

Ele citou também a necessidade de se impedir a proliferação de pequenas armas e do uso de explosivos. Além disso, é importante também cortar todos os fundos para organizações terroristas.

Pinheiro pediu ainda aos países que fazem fronteira com a Síria que façam mais para ajudar aos refugiados.

Desde o início da crise, em março de 2011, mais de 220 mil sírios foram mortos, mais de 12 milhões precisam de ajuda humanitária e cerca de 4 milhões estão refugiados.

Leia Mais:

Entrevista: Paulo Sérgio Pinheiro

Representantes da ONU assinam comunicado conjunto sobre crise na Síria

Ban diz que “sírios estão se sentindo abandonados pelo mundo”

Compartilhe

JORNAL DA ONU - 5 MIN, 15 DE DEZEMBRO DE 2017
JORNAL DA ONU - 5 MIN, 15 DE DEZEMBRO DE 2017
Loading the player ...

SIGA A RÁDIO ONU NAS REDES SOCIAIS

 

dezembro 2017
S T Q Q S S D
« nov    
 123
45678910
11121314151617
18192021222324
25262728293031