ONU: ações do Boko Haram causaram morte de mil pessoas este ano

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Número de mortos chegou a 7,3 mil desde 2014 e o de deslocados na Nigéria e na região já alcançou 1,5 milhão; crianças são usadas pelas milícias como soldados, escudos humanos e homens-bomba.

Sessão no Conselho de Segurança. Foto: ONU/Devra Berkowitz

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.*

Os ataques do Boko Haram na Nigéria já mataram mais de 7,3 mil civis desde 2014. O número foi registrado nos três estados nigerianos onde foi declarada emergência, Borno, Yobe e Adamawa.

De acordo com as Nações Unidas, somente este ano mil pessoas morreram. Mais de 300 escolas foram danificadas ou destruídas pelo grupo e 1,5 milhão de pessoas estão deslocadas, tanto na Nigéria como nos países vizinhos.

Terrorismo

Nesta segunda-feira, o Conselho de Segurança realizou um debate sobre  ameaças à paz e à segurança internacionais causadas por atos terroristas do Boko Haram.

A secretária-geral assistente da ONU para os Assuntos Humanitários destacou a sua apreensão com dificuldades para distribuir comida aos que precisam.

Civis

Kyung-Wha Kang disse que a situação de civis isolados ou escondidos em áreas onde agências humanitárias não têm acesso é profundamente preocupante, especialmente em locais controlados pelo grupo.

Na reunião, Kang destacou que menos de 40% das instalações de saúde nas áreas afetadas continuam funcionando. A emergência continua em vigor.

Crianças

O encontro também contou com a participação do representante especial do secretário-geral para a África Ocidental. Em videoconferência, Mohamed Ibn Chambas disse que crianças são usadas como escudos humanos pelo grupo nas áreas de conflito.

O enviado da ONU considerou também preocupantes as recentes alegações de ligação do Boko Haram com o grupo Estado Islâmico do Iraque e do Levante, Isil.

Chambas frisou o impacto das ações do Boko Haram nos vizinhos Camarões, Níger e República Centro-Africana, que sofrem “consequências humanitárias e de direitos humanos de crises já existentes”.

Meninas

O representante do secretário-geral disse que uma avaliação feita pela organização nos Camarões confirmou abusos do Boko Haram, que incluem assassinatos indiscriminados, sequestro de mulheres e meninas, além do uso de crianças como combatentes.

No Níger, os ataques dos insurgentes foram acompanhados pelo rapto de civis e pelo recrutamento de crianças, que iriam “servir como homens-bomba suicidas”.

Chambas elogiou ainda a iniciativa em curso de forças militares da região para combater o grupo.

*Apresentação: Laura Gelbert.

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JORNAL DA ONU - 5 MIN, 15 DE DEZEMBRO DE 2017
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