ONU: abusos dos direitos humanos no Iraque são generalizados e severos

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Alerta foi feito pela vice-alta comissária das Nações Unidas no Conselho de Direitos Humanos, em Genebra; Flávia Pansieri afirmou que missão de investigação relatou sérios crimes no país e quer que caso seja levado para o Tribunal Penal Internacional.

Flávia Pansieri. Foto: ONU/Jean-Marc Ferré

Edgard Júnior, da Rádio ONU em Nova York.

A vice-alta comissária da ONU para Direitos Humanos, Flávia Pansieri, alertou que "os abusos sofridos pela população iraquiana são generalizados e extremamente severos".

Em pronunciamento esta quarta-feira no Conselho de Direitos Humanos, em Genebra, Pansieri afirmou que a missão de investigação que visitou o país relatou a ocorrência dos mais sérios crimes internacionais.

Obrigação

Segundo ela, crimes que o conselho tem a obrigação moral e legal de combater. A vice-chefe do escritório de Direitos Humanos quer que o caso seja levado para o Tribunal Penal Internacional, TPI.

Pansieri disse que a responsabilidade primária para lidar com o problema é do governo iraquiano, mas que a comunidade internacional não pode fugir às suas responsabilidades para acabar com as violações. Ao mesmo tempo, deve garantir que novos abusos dos direitos humanos não voltem a acontecer.

A vice-alta comissária declarou que a violência tem dominado o Iraque há décadas. De acordo com a Missão de Assistência da ONU no país, Unami, 2014 foi o ano em que foram registradas mais mortes de civis desde os confrontos de 2006-2007.

Pansieri disse que a violência foi particularmente marcada no ano passado pelo grupo Estado Islâmico do Iraque e do Levante, Isil.

Segundo os investigadores, as violações dos direitos humanos cometidas pelo Isil indicam a ocorrência de genocídio, crimes contra a humanidade e de guerra.

Ataques

Eles relataram ataques deliberados e generalizados contra a população civil e a clara intenção do grupo terrorista de acabar com a rica etnia e a diversidade religiosa do Iraque.

Pansieri afirmou que o Isil realizou crimes hediondos contra cristãos, curdos, xiitas, turcos e yazidis por nenhuma outra razão além da crença religiosa e da etnia.

Ela declarou que contra a etnia yazidi, os investigadores disseram que o grupo extremista cometeu genocídio com assassinatos que têm como objetivo a destruição total dessas pessoas.

A vice-alta comissária disse que durante os ataques do Isil em comunidades yazidis, homens e meninos adolescentes eram separados das mulheres e meninas e executados sumariamente. Em alguns casos, todos os residentes do vilarejo eram mortos.

Escravas Sexuais

As mulheres e as meninas são usadas como escravas sexuais ou vendidas para os integrantes do Isil. Meninos de apenas oito anos, estão sendo forçados a realizar treinamentos militares e estão sendo convertidos ao Islamismo.

Nesse processo, eles são obrigados a assistir vídeos de pessoas sendo decapitadas e quando se recusam, são espancados severamente.

Os investigadores afirmaram ainda que os extremistas do Isil cometeram também mutilações, tortura e tratamento cruel de prisioneiros.

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