ONGs promovem na ONU petição contra assédio em vias públicas

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Coalizão internacional formada por entidades do Brasil, Colômbia e Uruguai trouxe o tema para a Comissão sobre o Estatuto da Mulher; documento online busca combater "comentários obscenos e perseguições" que oprimem mulheres.

Foto: Banco Mundial/Simone D. McCourtie

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York.

Representantes da sociedade civil de vários países, incluindo Brasil, Chile, Colômbia, Uruguai e Estados Unidos, estão aproveitando a 59ª sessão da Comissão sobre o Estatuto da Mulher para promover uma petição contra o assédio nas ruas.

A Coalizão Internacional contra o Assédio Sexual em Vias Públicas espera que o assunto faça parte de resoluções das Nações Unidas e pede compromisso dos países para a criação de campanhas de conscientização que promovam o respeito entre homens e mulheres.

Incômodo

A petição online é representada pelo Brasil com a participação do movimento "Chega de Fiu Fiu", que busca acabar com o assédio em locais públicos. A fundadora da campanha, Juliana de Faria, veio a Nova York promover o documento e falou com a Rádio ONU.

"Nós criamos pela internet, no site do Avaaz, uma petição em que a gente pede às nações e às Nações Unidas possam começar a discutir o assédio sexual em locais públicos com mais força, que dê mais importância a este tema para provar que este é um assunto que incomoda muitas mulheres e que precisa ter mais atenção. É bem o básico da violência contra a mulher, que não permite que ela ande na rua com tranquilidade, que não permite que a mulher tenha a liberdade que a gente espera que ela tenha na cidade, (liberdade) que o homem já tem."

Elogio ou Assédio

O texto da petição considera como assédio "comentários e ruídos obscenos, olhares maliciosos, perseguições e outras práticas que oprimem, humilham e violentam as mulheres".

Mas a partir de que ponto o que parece um elogio pode ser considerado assédio? Juliana de Faria explica.

"É uma interação que tem algum tipo de conteúdo sexual quando não tem o consentimento da mulher. Acho que esta palavra é a mais importante: consentimento. Às vezes, até um 'linda' ou só um 'fiu fiu' pode incomodar. As pessoas perguntam: 'Nossa, mas como incomodar se eu estou tentando falar que essa mulher é bonita?', mas se ela não deu o consentimento, se ela não se mostrou aberta, isso realmente pode incomodar ou mesmo assustar."

Segundo Juliana de Faria, qualquer pessoa pode assinar a petição online. Até a tarde de quinta-feira, o documento já tinha recebido o apoio de mais de 905 pessoas.

A Comissão sobre o Estatuto da Mulher avalia progressos alcançados nos últimos 20 anos e promove a meta da igualdade de gênero até 2030. O encontro em Nova York reúne líderes de governos e da sociedade civil até o dia 20 de março.

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JORNAL DA ONU - 5 MIN, 15 DE DEZEMBRO DE 2017
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