"Brasil teve grande empenho na criação da Década dos Afrodescendentes"

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Declaração foi feita pelo diretor do Centro de Informação das Nações Unidas no Brasil, Unic Rio; Giancarlo Summa disse que o Brasil é, junto com os Estados Unidos, o país que mais recebeu escravos africanos.

Giancarlo Summa. Foto: Unic Rio

Edgard Júnior, da Rádio ONU em Nova York.

O diretor do Centro de Informação das Nações Unidas no Brasil, Unic Rio,  Giancarlo Summa, disse que "o Brasil foi um dos países que mais se empenhou na criação da Década dos Afrodescendentes", entre 2015 e 2025.

Summa fez a declaração em entrevista à Radio ONU, em Nova York, para marcar o Dia Internacional em Memória às Vítimas da Escravidão, este 25 de março.

Dívida Histórica

"A ideia é ter uma lembrança dessa dívida histórica que temos com as populações afrodescendentes, que são os herdeiros dos milhões de escravos que foram traficados da África até as Américas. E o Brasil é, junto com os Estados Unidos, o país que mais recebeu escravos africanos traficados. O Brasil é também o último país a ter abolido a escravidão. Se passou mais de um século desde a abolição da escravidão mas os afrodescendentes continuam sendo a parcela mais sujeita a discriminações e a condições de vida inadequadas no Brasil".

Em relação à violência, Summa disse que, infelizmente, "o Brasil é um dos países com os maiores índices de homicídio do mundo para cada 100 mil habitantes".

O país, segundo ele, concentra quase 12% dos homicídios globais e quase 70% das vítimas são jovens negros com menos de 25 anos.

Racismo Institucional

"Isso é o que na ONU chamamos de racismo institucional, ou seja, se criaram mecanismos que são até legais, naturalmente não é mais o tráfico de escravos dos séculos 19 e 18, mas a população afrodescendente é a mais afetada por essa situação."

O diretor do Unic Rio disse que o objetivo é, junto com o governo brasileiro, realizar campanhas de conscientização sobre essa situação, como também a implementação de políticas públicas para tentar resolver os problemas.

Summa lembrou que o Brasil, com o apoio das Nações Unidas, aprovou e está implementando a lei de cotas e acesso, também chamada de discriminação positiva, em universidades e no serviço público.

O representante da ONU disse que esse é um passo concreto para melhorar a vida dessa população.

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