António Guterres afirma que "situação na Síria se tornou insustentável"

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Alto comissário da ONU para refugiados fez a declaração na Conferência de Doadores no Kuwait; chefe do Ocha, Valerie Amos, disse que desde o início do conflito, número de pessoas que precisam de ajuda subiu 12 vezes.

Existem mais de 600 mill crianças fora das escolas. Foto: Unicef/Kate Brooks

Edgard Júnior, da Rádio ONU em Nova York.

O alto comissário da ONU para Refugiados, António Guterres, afirmou esta terça-feira que "a situação na Síria se tornou insustentável".

Em pronunciamento feito na abertura da 3ª Conferência Internacional Humanitária de Doadores para a Síria, realizada no Kuwait, Guterres disse que "depois de quatro anos de conflito está claro que a resposta mundial à crise não pode ser a mesma de sempre".

Alimentos e Abrigos

O alto comissário declarou que a ONU registrou mais de 3,9 milhões de sírios refugiados nos países vizinhos. Segundo ele, metade dessas pessoas necessita de ajuda de alimentos para sobreviver e mais de 75% delas vivem em abrigos precários.

O ex-primeiro-ministro de Portugal alertou que mais de 600 mil crianças estão fora das escolas e há uma falha séria na prestação de serviços médicos.

Para António Guterres, "se a comunidade internacional fracassar na ajuda e no apoio aos refugiados e aos países que os acolhem, corre-se o risco de uma desestabilização mais profunda de toda a região".

Ajuda Humanitária

A subsecretária-geral para Assuntos Humanitários, Valerie Amos, que também está na conferência, lembrou que quando esteve pela primeira vez na Síria, em 2011, aproximadamente 1 milhão de pessoas necessitavam de ajuda humanitária, hoje são 12 milhões.

A chefe do Ocha afirmou que infelizmente a situação na Síria ainda está muito longe de reconstrução e restauração do país.

Segundo Amos, a economia entrou em colapso, com quatro em cada cinco sírios vivendo na pobreza. Amos destacou que antes da guerra, a Síria tinha um moderno sistema de água e esgoto, agora, 80% da infraestrutura precisam de reparos.

A subsecretária-geral disse ainda que 5 milhões de sírios estão sitiados há vários meses sem receber alimentos e ajuda médica em áreas onde as agências humanitárias não podem alcançar.

Além disso, mais de 400 mil pessoas vivem em regiões onde a assistência não pode entrar e elas não podem sair por causa da violência.

Impacto

Apesar das dificuldades, ela afirmou que as agências da ONU conseguiram levar comida para 5 milhões de pessoas todos os meses e forneceram acesso à água potável a milhões de sírios.

As organizações também levaram tratamentos médicos a mais de 16,5 milhões e ajudaram 2 milhões de crianças a irem à escola.

A chefe do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, Pnud, Helen Clark, falou sobre o impacto da crise na Síria e nos países vizinhos.

Segundo Clark, o progresso na Síria sofreu um retrocesso dramático. O desemprego atingiu 50% e quase dois-terços dos sírios vivem na extrema pobreza.

Ela disse que no Líbano, o crescimento do Produto Interno Bruto do país, PIB, caiu de 10% em 2009 para 1% no ano passado. O desemprego quase dobrou desde 2011.

Na Jordânia, na Turquia, no Iraque e no Egito a situação dos refugiados é preocupante.

Clark disse que é preciso manter a atenção na Síria, atendendo às suas necessidades humanitárias internas e trabalhando no apoio à vida das pessoas e para criar resiliência nas comunidades.

Ela citou o Plano Regional para Refugiados e de Resiliência, chamado de 3RP, que visa aumentar o investimento no setor.

Segundo a chefe do Pnud, o plano oferece uma nova geração de respostas que integram prioridades humanitárias e de desenvolvimento numa única ação.

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