Trabalhadores de saúde são essenciais para fim da mutilação genital

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No Dia Internaconal de Tolerância Zero à Mutilação Genital Feminina, Ban Ki-moon reforça importância do apoio de médicos e de profissionais do setor; embaixadora do Unfpa, a atriz portuguesa Catarina Furtado destaca consequências para saúde das vítimas.

Defesa dos direitos das meninas e das mulheres. Foto: Unfpa

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York.

No Dia Internacional de Tolerância Zero à Mutilação Genital Feminina, o secretário-geral da ONU está pedindo apoio dos profissionais de saúde para que a prática seja eliminada.

Segundo Ban Ki-moon, a comunidade médica é importante aliada na defesa dos direitos de meninas e de mulheres, sendo que mais de 130 milhões no mundo sofreram mutilação genital. A prática está concentrada em 29 países da África e do Oriente Médio.

África

Neste ano, o Dia Internacional de Tolerância Zero foca a "medicalização", ou seja, quando a mutilação genital é realizada por trabalhadores de saúde, como médicos e enfermeiros. No Egito, em 77% dos casos a prática é feita por médicos, seguido do Sudão, com 55% e do Quênia, com 41%.

A Rádio ONU ouviu a apresentadora portuguesa e embaixadora do Fundo de População da ONU, Unfpa. De Lisboa, Catarina Furtado relembrou de uma viagem que fez à Guiné-Bissau, quando conversou com uma mulher que deixou de fazer mutilação genital feminina.

"Era uma senhora bastante velha, mas que fazia com aquela mesma faca, uma faca velhíssima, oxidada, e era aquela faca que tinha feito o corte em tantas meninas e em tantas mulheres. E ela disse que estava a abandonar (a prática) porque também estava a perceber a questão da violência, da violação dos direitos humanos dessas meninas, sua própria dignidade e depois uma questão de saúde pública."

Silêncio

O chefe da ONU acredita que uma mudança está surgindo dentro das próprias comunidades. Ban Ki-moon destaca que "acabar com o silêncio e com os mitos" são os primeiros passos para eliminar a prática.

A embaixadora do Unfpa lembra que para muitas comunidades, a mutilação genital feminina é um ritual, baseado em razões culturais.

"Há vários tipos de mutilação genital feminina, mas (acreditam que) se não é feita essa prática, que inclui o corte, não é uma mulher bem vista pela comunidade e não é protegida pelos deuses em que eles acreditam. E isso é que tem de ser desmistificado, porque eu acho que é muito possível que a cultura dos povos possa ser mantida e imaculada desde que não viole os direitos humanos."

Líderes

Catarina Furtado destaca que as consequências para a saúde da mulher são várias, incluindo infecções, fístula e dificuldades para engravidar. Segundo a embaixadora do Unfpa, a agência da ONU tem vários programas que incentivam comunidades a abandonar a prática.

Em dezembro, a Assembleia Geral da ONU adotou uma resolução pedindo intensificação dos esforços globais para a eliminação da mutilação genital feminina. O documento sugere aos países que treinem médicos, líderes comunitários e religiosos para que cuidem de meninas e mulheres que sofreram mutilação ou que estão em risco de serem submetidas ao ato.

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JORNAL DA ONU - 5 MIN, 15 DE DEZEMBRO DE 2017
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