ONU diz que impasse político pode aumentar violência no Sudão do Sul

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Subsecretário-geral para Operações de Paz afirmou que governo e oposição parecem não levar negociações a sério; Hervé Ladsous declarou que nenhum dos dois lados está disposto a fazer as mudanças necessárias.

Hervé Ladsous no Conselho de Segurança nesta terça-feira. Foto: ONU/Mark Garten

Edgard Júnior, da Rádio ONU em Nova Iorque.

O subsecretário-geral da ONU para Operações de Paz, Hervé Ladsous, afirmou que o impasse político pode aumentar a violência no Sudão do Sul.

Em pronunciamento no Conselho de Segurança, nesta terça-feira, Ladsous disse que "o ambiente volátil de segurança no país é um reflexo direto da contínua falta de vontade política" para resolver a situação.

Levar a Sério

Segundo ele, "governo e oposição não parecem levar a sério as negociações políticas e parecem, também, não estarem dispostos a fazer as mudanças necessárias".

A situação da segurança no Sudão do Sul piorou no último ano desde o início da disputa política entre o presidente Salva Kiir e o ex-vice, Riek Machar, em dezembro de 2013.

As hostilidades entre os dois viraram um conflito aberto que levou quase 100 mil sul-sudaneses a buscar abrigo em bases da Missão da ONU no país, Unmiss.

A crise deixou 1,9 milhão de deslocados internos e colocou mais de 7 milhões em risco de fome e doenças.

Fracasso

Ladsous disse aos 15 membros do Conselho de Segurança que "as negociações de paz entre Kiir e Machar representam um sério fracasso dos líderes que continuam a ter como foco a luta pelo poder em vez do cuidado do povo".

Para o representante da ONU, "é muito pequena a probabilidade de um dos lados ceder em sua posição e dada a situação de segurança atual, as discussões de paz não devem alcançar muito progresso".

O secretário-geral assistente de Direitos Humanos, Ivan Simonovic, também visitou o país e falou ao Conselho de Segurança sobre os abusos cometidos na região.

Famílias Executadas

Simonovic citou famílias inteiras executadas por causa da sua etnia, centenas de pessoas assassinadas em hospitais, crianças-soldado a ameaçar civis e mulheres a ser estupradas.

Ele foi informado por autoridades do governo que a população tem lutado há décadas por dignidade, independência e direitos humanos. Mas Simonovic contou que o que viu durante sua missão não foi exatamente o que os sul-sudaneses buscam.

Para o secretário-geral assistente, o processo de paz precisa ser inclusivo e deve acabar com o ciclo de impunidade com medidas concretas de prestação de contas pelos crimes cometidos.

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