Isil responsável pelo aumento da violência sectária no Iraque

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Relatório divulgado pela Unami e Alto Comissário para os Direitos Humanos cita abusos cometidos pelo grupo num período de três meses e possibilidade de genocídio; assassinatos, sequestros, e tráfico de mulheres entre os crimes.

Civis no Iraque. Foto: OCHA/Iason Athanasiadis

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York.

Um relatório divulgado pelas Nações Unidas esta segunda-feira retrata o aumento de violações de direitos humanos de natureza sectária no Iraque. O documento foi produzido pela Missão da ONU no país, Unami, e pelo Escritório do Alto Comissário para os Direitos Humanos.

Foi avaliada a situação no Iraque durante um período de três meses: entre 11 de setembro e 10 de dezembro do ano passado. O relatório documenta "sérias violações e abusos de direitos humanos realizados de forma sistemática pelo Estado Islâmico do Iraque e do Levante, Isil".

Crimes

As ações incluem assassinatos de civis, sequestros, estupros, escravidão e tráfico de mulheres e de crianças, recrutamento forçado de menores, destruição de locais culturais ou religiosos, saques e proibição das liberdades fundamentais.

Segundo o relatório, iraquianos que fazem parte de minorias étnicas ou religiosas como turcomenistãos, shabaks, cristãos, yazidis, sabeus e curdos, estão sendo atacados de forma sistemática pelo Isil e por outros grupos armados.

Na avaliação da Unami e do Escritório de Direitos Humanos, parece se tratar de uma política deliberada para "destruir, reprimir ou expulsar essas comunidades de áreas sob o controle" dos grupos armados.

Genocídio

O relatório detalha ainda que o Isil foi responsável por assassinatos de membros das forças de segurança iraquiana e de pessoas suspeitas de terem ligação com o governo. Entre outras vítimas estavam indivíduos que foram desleais ao grupo, incluindo líderes religiosos e tribais, jornalistas, médicos e mulheres líderes de comunidade ou do cenário político.

Durante o período de três meses analisado, houve pelo menos 165 execuções em áreas controladas pelo Isil, em casos que podem ser considerados "crimes de guerra, contra a humanidade e possivelmente genocídio".

Mas o relatório detalha também violações de direitos humanos cometidas pelas Forças de Segurança do Iraque e por grupos armados que alegam apoio ao governo. Esses grupos teriam assassinado pessoas, incluindo combatentes do Isil e raptado civis.

Recomendações

Entre janeiro e dezembro do ano passado, mais de 11,6 mil civis foram assassinados no Iraque e 21,7 mil ficaram feridos. A maioria dos casos ocorreu a partir de junho, quando o conflito se espalhou por Anbar e outras áreas do país.

Os civis morreram ainda por causas secundárias à violência, como falta de acesso à comida, à água e a cuidados médicos. O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Zeid Al Hussein, declarou estar "muito chocado com as violações cometidas pelo Isil e outros grupos armados".

Já o representante especial da ONU para o Iraque, Nickolay Mladenov, afirmou que "os líderes iraquianos devem se mexer imediatamente e implementar a agenda do governo para união e reconciliação nacional". Segundo ele, esta é a melhor maneira de se pôr um fim aos crimes hediondos cometidos pelo Isil.

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