Especial Haiti: Reflexões sobre o Haiti depois da cooperação com a Minustah

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Com a aproximação das eleições gerais marcadas para este ano, muitas agências internacionais começam a preparar a nova fase de parceria com o Haiti após a chegada de novos representantes e líderes. Segundo o Banco Mundial, as bases sólidas da colaboração atual continuarão a ser garantidas.

Menina haitiana em festa de carnaval. Foto: Minustah.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.*

Crianças haitianas cantam um trecho do hino nacional onde se destaca a mensagem “avance meu país”.  2015 é ano de eleições gerais no Haiti, um processo que gera expectativas, uma vez que as votações vão escolher 30 novos senadores, 99 deputados e o presidente.

Após serem adiadas no ano passado, o esforço agora é que as eleições sejam realizadas nos próximos meses. Esta é a tarefa, principalmente, da recém-criada Comissão Eleitoral. Enquanto isso, vários parceiros internacionais continuam cooperando com o governo haitiano para consolidar avanços e a sustentabilidade.

O processo é apoiado pela Missão da ONU de Estabilização do Haiti, Minustah, que está no país desde 2004, como explicou o vice-representante especial do secretário-geral encarregue do Estado de Direito.

Pleito Inclusivo

Carl Alexandre disse que as pessoas querem que os partidos participem no processo e que as eleições sejam pacíficas, credíveis e que os haitianos possam orgulhar-se delas. Para Alexandre, “o pleito deve ser inclusivo conforme as expectativas populares e da própria ONU”.

Mas como fica o Haiti após a cooperação com a Minustah e com a comunidade internacional como um todo?

Remover os Escombros

Durante os últimos anos, a Minustah tem desempenhando uma função de integração e consolidação da paz, mas também de um forte elemento de desenvolvimento social.  Em 2010, mais de 200 mil pessoas morreram no terramoto e, com a ajuda dos soldados de paz e de doadores, os haitianos conseguiram se reerguer e remover os escombros do país considerado o mais pobre do Hemisfério Ocidental.

O coronel Luiz Carlos  Brion, que lidera o batalhão de Engenharia das Forças Brasileiras no país, falou sobre algumas dessas ações de reconstrução e desenvolvimento social em nível comunitário também.

Edifício inacabado em Porto Príncipe. Foto: Minustah

Construções

“Só de asfaltamento de ruas, a gente já fez mais de 47 quilómetros aqui no Haiti, principalmente em Porto Príncipe. Nós já fizemos terraplanagem, ou seja melhoria das vias que são de revestimento primário de terras, com mais de 150 km de ruas e estradas recuperados. 60 postos artesianos cavados, que oferecem água para as populações, que é um líquido bastante escasso aqui. De construções verticais, de obras, já fizemos cerca de 150 metros quadrados de prédios construídos, com 500 metros quadrados de instalações recuperadas.”

Mas e no futuro, com o cumprimento da missão pela Minustah? Como seria este novo Haiti? A decisão de manter as tropas em qualquer país, cabe ao Conselho de Segurança. Mas a pergunta já é antecipada por um empreendedor haitiano de perfumes.

Pierre Leger extrai o vetiver, um óleo essencial do capim com o mesmo nome. Dos solos do Haiti saem 60% desta matéria-prima para o mundo.

Ensinar a Pescar 

Segundo Leger, ao invés de “ensinar às pessoas como pescar”, a comunidade internacional “tem oferecido regularmente peixe” aos haitianos. Uma das formas desse apoio é a comida para os pobres, o que segundo ele é um outro incentivo. Ele diz também que, no lugar de investir no trabalho real, os investidores estrangeiros usam mão-de-obra barata haitiana. Pelo seu trabalho no Haiti, Leger já foi convidado a falar na Organização da Nações Unidas sobre o Comércio e Desenvolvimento, Unctad, para abordar o seu contacto com comunidades locais e economia sustentável. 

Já o vice-representante do secretário-geral no Haiti, Peter de Clercq, coordena a área humanitária na Minustah. Ele reflete sobre a transição da atual assistência ao país para futuras cooperações com ONGs, doadores internacionais e outros atores através da cooperação Sul-Sul. E cita como um desses exemplos uma parceria com o Canadá e também o Brasil.

Entender a Dinâmica 

O responsável disse que trabalhar com um parceiro como o Brasil significa que se atua com um “parceiro que realmente entende as causas básicas dos problemas”. Os assentamentos informais da capital e outras cidades haitianas, entendimento da dinâmica social e económica das favelas são outros fatores. Para ele, é  necessário trabalhar profundamente e encontrar esse tipo de tipo de parcerias que maximiza o trabalho com parceiros de desenvolvimento e a longo prazo.

Uma das conquistas no setor humanitário depois do sismo foi a redução de desalojados de 1,5 milhão de haitianos para menos de 80 mil, nos níveis atuais.

O Banco Mundial disse que o Haiti pode continuar no futuro com o financiamento de projetos, aconselhamento em políticas económicas e ajuda para reduzir a pobreza. Jean Pierre Koumana coordena o programa do órgão para estimular o desenvolvimento no Haiti.

Menores de Cité Soleil. Foto: Rádio ONU

Condição Mínima

Ele disse que o Banco não dita nem impõe as prioridades, o país determina e apoiamos a sua implementação. Disse acreditar que as eleições sejam, a condição mínima para a conexão entre o Estado e os indivíduos. Com pleitos consolidam-se a instituições legais que conduzem um ambiente que deve determinar o rumo a ser acompanhado.”

Em finais de janeiro, as Nações Unidas defenderam um investimento em água, saneamento e reforço institucional na Cimeira da Comissão da ONU para a América Latina, organizada na Costa Rica em janeiro. O Haiti ainda tem um grande desafio nesta área de infraestrutura.

Estas e outras ações precisam ser realizadas para consolidar o desenvolvimento do país não só em serviços básicos, como também em outros setores como saúde, educação, emprego jovem e crescimento sustentável.

Segundo as Nações Unidas, entre 2003 e 2012, o Haiti recebeu US$ 10,5 bilhões em assistência ao desenvolvimento e ajuda humanitária. Este foi só o início de uma parceria com a comunidade internacional que os haitianos pretendem manter com base em sua experiência de trabalho com a Minustah.

Um caminho que está sendo percorrido com os esforços dos haitianos a cada dia no processo de consolidação da paz e do crescimento.

No próximo programa desta série de reportagens, os encontros e desencontros entre haitianos e africanos. Conversamos sobre o tema na capital do chamado “pedaço africano no Hemisério Ocidental”.

*Série produzida com o apoio da Missão Integrada das Nações Unidas no Haiti, Minustah.

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JORNAL DA ONU - 5 MIN, 15 DE DEZEMBRO DE 2017
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