Comissão de Inquérito quer ação imediata para fim da violência na Síria

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Grupo apresenta relatório para o Conselho de Segurança, numa reunião fechada; presidente da Comissão, Paulo Sérgio Pinheiro, declara que vítimas merecem mais do que compaixão e diz ser necessária perspectiva real sobre fim do conflito.

Comissão de Inquérito sobre a Síria em coletivo de imprensa. Foto: ONU/Eskinder Debebe

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York.

O Conselho de Segurança da ONU ouviu esta sexta-feira a Comissão de Inquérito sobre a Síria, numa reunião fechada. O formato do encontro confidencial, conhecido como "fórmula Arria", permite aos membros do Conselho "trocar visões de forma franca e privada" com o grupo convidado.

A Comissão de Inquérito sobre a Síria está divulgando mais um relatório sobre crimes cometidos no país entre março de 2011 e  janeiro deste ano. Foram ouvidas mais de 3,5 mil vítimas e testemunhas dentro e fora da Síria.

Impunidade

Segundo a Comissão, presidida pelo brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, "o relatório enfatiza a necessidade de ação internacional para que seja encontrada uma solução política, com fim às violações de direitos humanos e para que seja quebrado o ciclo de impunidade".

Pinheiro declarou ser inconcebível que os sírios continuem sofrendo por quatro anos, "vivendo num mundo onde só existem tentativas limitadas de fazer com que a paz retorne ao país".

Perspectivas

A Comissão de Inquérito sobre a Síria nota que todos os países têm responsabilidade em encontrar uma solução eficaz e política para a situação e que isso deve fazer parte  de qualquer negociação futura.

Paulo Sérgio Pinheiro afirmou também que "as vítimas precisam de mais do que compaixão". Segundo ele, não é possível continuar pedindo o fim do conflito e dos crimes sem que haja alguma perspectiva e maneiras" de se acabar com a onda de violência.

Histórico

O relatório destaca que a violência na Síria começou em março de 2011 com protestos civis, mas que houve uma mudança de padrão em fevereiro de 2012, "com o aumento do conflito armado".

Segundo o documento, autoridades do governo são responsáveis por prisões, desaparecimentos, torturas e ataques letais em áreas com civis, e que tais violações continuam sendo realizadas "sob a impunidade com a qual o governo sírio continua operando".

Isil

A Comissão de Inquérito fala também sobre a atuação de grupos armados, em especial a Al-Nusra e o Estado Islâmico do Iraque e do Levante, Isil. O relatório descreve "a brutalidade contra civis e ataques contra minorias".

Em 2014, o controle do Isil sobre recursos econômicos e territórios ajudou o grupo a aumentar suas "táticas,  como "execuções públicas e mutilações, que instigam o terror entre a população civil."

A Comissão de Inquérito lembra que centenas de milhares de civis foram assassinados na Síria, que metade da população do país deixou suas casas, tornando-se refugiados ou deslocados internos. Entre os alvos, estão adultos, crianças, detidos, pessoas doentes e feridas e trabalhadores humanitários.

No relatório, é destacado que muitos civis estão em áreas de difícil acesso, o que dificulta mais ainda sua proteção. Baseado em documentos anteriores, a Comissão acredita que "as dificuldades extemas enfrentadas por milhões de sírios só irão aumentar a não ser que ação imediata seja tomada pelo fim da violência".

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