Ban alerta que "Iêmen está desmoronando diante dos olhos do mundo"

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Secretário-geral disse ao Conselho de Segurança que a comunidade internacional "não pode ficar assistindo à situação de braços cruzados";  ele afirmou que o país enfrenta vários desafios e uma perigosa crise política.

Protestos Iêmen. Foto: Irin/Adel Yahya

Edgard Júnior, da Rádio ONU em Nova York.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, alertou esta quinta-feira que "o Iêmen está desmoronando diante dos olhos do mundo".

Em pronunciamento no Conselho de Segurança, o chefe da ONU disse que a comunidade internacional "não pode ficar assistindo à situação de braços cruzados" enquanto o país, do sudoeste da Ásia, enfrenta "vários desafios e uma perigosa crise política".

Uso de Força

Ban afirmou que o presidente Abd Rabbo Mansour Hadi, o primeiro-ministro Khaled Bahah, que foram postos em prisão domiciliar no início da crise, devem ter liberdade de movimento. O mesmo vale para ministros de governo e outras autoridades.

O secretário-geral demonstrou preocupação com o uso excessivo de força para dispersar manifestações pacíficas, assim como prisão arbitrária e a detenção de ativistas da sociedade civil e jornalistas.

Ele pediu proteção dos direitos humanos, especialmente os direitos de reunião pacífica e de liberdade de expressão.

Ban citou mais ataques realizados pelo grupo Al Qaeda na Península Árabe e o aumento de tendências separatistas no sul do país. Ele disse que 61% da população, quase 16 milhões de pessoas, precisam de ajuda humanitária no Iêmen.

Para o chefe da ONU, todas essas circunstâncias reunidas ameaçam a paz e a segurança regionais e internacionais. Ele declarou que tudo deve ser feito para "colocar o processo político de volta nos trilhos".

Acordo

Segundo Ban, as partes envolvidas na crise devem respeitar o acordo firmado na Conferência de Diálogo Nacional. Ele disse que "todos devem evitar provocações e engajar em negociações, cooperando de boa fé".

O secretário-geral afirmou que o foco da comunidade internacional deve estar em ajudar o povo iemenita a restabelecer a autoridade legítima de governo, o mais rápido possível, através de negociações políticas.

O enviado especial de Ban sobre o Iêmen, Jamal Benomar, também falou ao Conselho de Segurança.

Desordem

Por teleconferência, de Sanaa, a capital, Benomar disse que nos últimos três anos vem alertando o órgão sobre os perigos do processo de transição do país.

Benomar disse "lamentar profundamente que essa transição, amplamente vista como modelo, agora está em desordem".

Ele explicou que nas últimas cinco semanas o país foi testemunha de eventos dramáticos. O enviado especial disse que tem tentado realizar negociações diárias entre os 12 grupos políticos para encontrar uma solução de consenso.

Benomar citou alguns progressos mas disse que a decisão de um dos grupos, Ansarallah, de anunciar a chamada "declaração constitucional" em 6 de fevereiro, causou imediata reação interna e externa.

A declaração determina o fechamento do Parlamento, a formação de um conselho presidencial com cinco membros e que o país será comandado temporariamente por uma Comissão Suprema Revolucionária.

A medida unilateral foi rejeitada pelos principais grupos políticos e as incertezas e riscos de segurança levaram várias missões diplomáticas a fechar seus escritórios e deixar o Iêmen.

Benomar alertou que "o país está numa encruzilhada: cairá numa guerra civil ou encontrará uma forma de regressar ao processo de transição". Segundo ele, isso vai depender da disposição política dos líderes iemenitas.

O enviado especial deixou claro que "todos eles têm a responsabilidade pela situação atual, como também, responsabilidade por encontrar um caminho que tire o país da beira do abismo".

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JORNAL DA ONU - 5 MIN, 11 DE DEZEMBRO DE 2017
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