Sudão do Sul: ONU preocupada com responsabilização após morte de centenas

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Investigação aponta para morte 353 civis e 250 feridos em Bentiu e Bor; as vítimas foram propositadamente atacadas em abril devido à etnia, nacionalidade e suspeitas de apoio a forças rivais.

Sudão do Sul. Foto: Unmiss/Julio R. Brathwaite

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

O Escritório das Nações Unidas para os Direitos Humanos considerou um grande problema a prestação de contas no Sudão do Sul, após uma investigação que revelou a morte de pelo menos 353 civis nas cidades de Bentiu e Bor.

O relatório sobre os assassinatos foi publicado, esta sexta-feira, pela Missão das Nações Unidas no país, Unmiss. Cerca de 250 pessoas foram feridas em ataques ocorridos nas capitais dos estados de Unidade e de Jonglei em abril.

Refugiados

Mais de 1,9 milhão de pessoas continuam deslocadas devido aos combates entre o governo e os rebeldes do Movimento de Libertação do Povo do Sudão do Sul, iniciados há mais de um ano. Meio milhão de sul-sudaneses estão nos países vizinhos.

O escritório afirma que não houve responsabilização por atrocidades em massa, violações dos direitos humanos e abusos que estão por detrás da morte de dezenas de milhares de pessoas no mais novo país africano.

O informe de 33 páginas explica que as vítimas foram deliberadamente direcionadas com base na sua etnia, nacionalidade ou ainda em suspeitas de apoiarem a uma das partes do conflito. Os mais afetados pelo peso da violência são as populações civis, especialmente mulheres e crianças.

Estado de Unidade

O relatório destaca a morte de pelo menos 287 civis, a 15 de abril, numa mesquita na área de Kalibalek em Bentiu. A ação é atribuída às forças da oposição depois da retomada do controlo da capital do estado de Unidade.

Grande parte das vítimas  dos ataques orientados com base na sua origem das eram comerciantes de Darfur e suas famílias. Dois dias depois, vários homens chegaram ao complexo da ONU no exterior de Bor, no estado de Jonglei, para exigir a expulsão dos jovens de etnia Nuer do local de proteção de civis.

Pelo menos 47 pessoas morreram depois da entrada forçada do grupo que em fúria matou, saqueou e sequestrou deslocados internos, aponta a Unmiss. O relatório defende haver motivos razoáveis para crer que o ataque foi planeado.

Intensidade

Desde então, os combates persistem tanto no estado de Unidade como no norte de Jonglei  embora em menor intensidade relativamente aos ataques de abril em Bor e Bentiu.

A Unmiss diz que a continuação das ações de ambos os lados é acompanhada de graves violações dos direitos humanos e do direito internacional humanitário com execuções extrajudiciais, desaparecimentos forçados e violência sexual.

Grande Escala

Cerca de nove meses depois dos ataques em Bentiu e Bor ”nenhum agressor foi responsabilizado pelos assassinatos em grande escala descritos no relatório”.

As outras preocupações prendem-se com a falta de progressos no processo de paz e com o risco real da continuação dos combates. O apelo urgente é que seja concluído o acordo de paz e respeitado o Acordo de Cessação das Hostilidades aliado à garantia de que não serão concedidas amnistias por violações graves.

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JORNAL DA ONU - 5 MIN, 13 DE DEZEMBRO DE 2017
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