Recursos para educação dos ricos são 18 vezes maiores que dos pobres

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Unicef alerta que nos países de baixa renda quase metade do investimento público beneficia os estudantes mais ricos; vice-chefe da agência afirmou que muitas crianças não recebem educação de qualidade por causa da pobreza, de conflitos e da discriminação.

Diferenças na educação das crianças mais pobres. Foto: Unicef

Edgard Júnior, da Rádio ONU em Nova York.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, alertou esta quinta-feira que em muitos países os recursos públicos usados para a educação de crianças ricas são até 18 vezes maiores do que para as crianças pobres.

O relatório sobre investimento em educação do Unicef diz que, em média, 46% dos recursos para educação em países de baixa renda são direcionados aos 10% dos estudantes mais ricos. Já nos países considerados de média e baixa renda, os recursos para o mesmo grupo são bem mais baixos, 26%.

Gastos Equitativos

Segundo a agência da ONU, essa desproporção favorece as crianças das camadas mais altas da sociedade, que geralmente, completam os maiores níveis de educação.

O relatório, que tem o apoio da Fundação Bill e Melinda Gates, pede gastos mais equitativos para a educação.

Além disso, o Unicef quer que os governos tenham como prioridade as necessidades das crianças mais marginalizadas, que são as mais pobres ou que pertencem a minorias étnicas ou linguísticas, as que sofrem com algum tipo de deficiência ou as que vivem em regiões de conflito.

A vice-diretora-executiva do Fundo da ONU, Yoka Brandt, afirmou que existem aproximadamente 1 bilhão de crianças em idade escolar primária e início da secundária no mundo.

Qualidade

Segundo ela, elas representam 1 bilhão de razões para se investir no setor. Brandt disse que muitos desses menores não recebem uma educação de qualidade por causa da pobreza, de conflitos ou pela discriminação de gênero, de algum tipo de deficiência ou étnica.

A representante do Unicef disse que a educação pode quebrar o ciclo de pobreza e desvantagens para as crianças, famílias e países. Ela explicou que "para que isso aconteça, governos e setor privado precisam não só investir mais, mas também investir com mais sabedoria".

O relatório cita que "o progresso na questão do acesso à educação emperrou. O mundo tem hoje 58 milhões de crianças em idade escolar primária fora dos colégios".

Aprendizado

Além disso, muitos dos estudantes que estão frequentando as salas de aula não estão aprendendo a lição. Os dados revelam que 130 milhões de alunos do 4º ano primário não dominam o básico em leitura e matemática.

Para atingir a meta de educação básica para todos, os países terão de matricular mais 619 milhões de crianças entre 3 e 15 anos até 2030. Isso representa um aumento de 57% em comparação aos números atuais.

O Unicef alerta ainda para uma redução dos investimentos no setor. Há um deficit de US$ 26 bilhões, o equivalente a R$ 67 bilhões, no fundo de educação básica universal para 46 países de baixa renda.

Desde 2009, a ajuda para a educação diminuiu 10%. A agência explica que essa diferença pode ser eliminada. Ela representa apenas 5% do lucro anual das 15 maiores empresas do mundo.

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