ONU diz que economia da América Latina deve crescer 2,4% em 2015

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Relatório do Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais diz que Brasil ficará abaixo da média regional com 1,5%; Europa terá recuperação frágil e África deve registrar forte avanço graças ao consumo e investimento privado

Previsão de crescimento do Brasil é 1,5% neste ano. Foto: Banco Mundial

Edgard Júnior, da Rádio ONU em Nova York.

A ONU informou que o crescimento econômico da América Latina e do Caribe deve chegar a 2,4% em 2015, bem mais do que os 1,3% registrado no ano passado.

A previsão consta do relatório "Situação Econômica Mundial e Perspectivas 2015", Wesp pela sigla em inglês, lançado esta segunda-feira.

Brasil

O documento foi preparado pelo Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais, Desa. De Nova York, o economista da agência, Sérgio Vieira, falou à Rádio ONU sobre a previsão para o Brasil.

" Prevê-se que em 2014 tenha crescido apenas 0,3%, em 2015 vai haver uma aceleração do crescimento mas de apenas 1,5% e em 2016 de 2,5%. Há uma melhoria, mas vemos que continuamos bem abaixo daquilo que o Brasil tem revelado em anos anteriores. Isto deve-se há vários fatores, um é o investimento privado que continua fraco, por outro há um deficit público que tem crescido e isso não facilita mais uma vez que haja políticas de estímulo à economia, pelo lado fiscal".

Ainda sobre o Brasil, a agência diz que concessões nos setores de petróleo e infraestrutura e as preparações para os Jogos Olímpicos de 2016 devem contribuir para uma recuperação nos investimentos.

O relatório diz que o crescimento na região não será equilibrado. O Produto Interno Bruto, PIB, do México e dos países da América Central devem avançar 3,5% neste ano.

Já o PIB dos países sul-americanos deve ter uma alta de apenas 1,9%, mais do dobro do registrado em 2014. As economias caribenhas podem ter um desempenho muito bom segundo os analistas, chegando a 3,8%.

O Desa cita como riscos para a região a desaceleração econômica da China e os impactos causados pelas mudanças na política monetária dos Estados Unidos.

Europa

Na Europa, o relatório prevê que a recuperação econômica continuará frágil. Muitos países europeus ainda sofrem com o alto desemprego e as tensões geopolíticas podem prejudicar ainda mais esse processo.

O Desa acredita que o PIB da Europa Ocidental deve crescer 1,5% neste ano e 1,9% em 2016.

Como o previsto para a América do Sul, o crescimento será diferenciado. A Itália deve sofrer uma retração pelo terceiro ano consecutivo. A França ficará praticamente com uma economia estagnada e a Alemanha deve ver o seu PIB avançar 1,4% neste ano.

Espanha, Irlanda e Portugal também devem seguir o mesmo caminho registrando um pequeno crescimento. A única previsão de um ganho mais robusto é para o Reino Unido, que segundo o relatório deve registrar um avanço de 2,5% tanto para 2015 como para 2016.

Os conflitos regionais, principalmente na Ucrânia, e o alto desemprego podem prejudicar a recuperação. O desemprego em 2014 girou de 5,1% na Alemanha a 10 e 12% na França e na Itália, respectivamente, até 24,6% na Espanha.

Mas as condições pioram quando a avaliação é feita entre os jovens. Nesse caso, os índices disparam para 53% na Espanha, 44% na Itália e 35% em Portugal.

Ainda na Europa, o relatório diz que o produto interno da Rússia deve ficar estagnado também neste ano.

África

A previsão é muito mais otimista para a África. O Desa acredita que o PIB da região cresça dos 3,5% de 2014 para 4,6% neste ano e 4,9% em 2016.

Os motivos para esse avanço são o forte investimento do setor privado e o alto consumo. Os analistas citam o aumento da confiança do consumidor, a expansão da classe média, melhoras no ambiente empresarial e a redução dos custos de se fazer negócio.

Das sub-regiões africanas, o leste do continente deve ter o melhor desempenho com um avanço de 6,8%, tendo o Quênia e Uganda na liderança. O norte e o sul da África devem avançar 3,9 e 3,6%, respectivamente. Entre os países de destaque estão Egito, Tunísia, Angola, Moçambique, Botsuana e África do Sul.

Já nas regiões central e oeste, o crescimento do PIB deve chegar a 4,7% e 6,2% neste ano, respectivamente. Mas o documento cita alguns riscos como a instabilidade política, por exemplo no Mali, na Nigéria e na República Centro-Africana. O Desa diz também que o surto de ebola pode representar dificuldades para os países afetados pela doença.

Os especialistas afirmaram que o ebola já causou uma grande perda humana na região e teve também um impacto negativo no comércio na Guiné, Libéria e Serra Leoa, as nações que mais sofreram com a doença.

O relatório deixa claro que se o surto não for contido pode representar um grave risco para as perspectivas de crescimento econômico da área.

Ásia

Mais uma vez, o relatório prevê que o leste da Ásia continuará sendo uma das regiões de maior crescimento com 6,1% para este ano e 6% para 2016.

A China verá seu desempenho cair para 7% em 2015 e 6,8% no ano que vem. O resultado é expressivo, mas bem menor do que os 7,7% de 2013.

Outros países da região também devem registrar um bom desempenho neste ano, entre eles estão Cingapura, Coreia do Sul, Indonésia, Malásia, Filipinas, Tailândia e Vietnã.

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