OIM reúne-se com migrantes na Itália, a maioria fugindo do conflito na Síria

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Dezenas de passageiros, deixados à deriva no Mediterrâneo, contaram ter pagado até US$ 6 mil a traficantes de pessoas na Turquia; polícia italiana investiga suposto comandante de um navio abandonado.

Foto: Acnur/Massimo Sestini

Mônica Villela Grayley, da Rádio ONU em Nova York.

Dias após terem sido resgatados de navios cargueiros abandonados no Mediterrâneo, um grupo de migrantes contou a autoridades o que ocorreu antes de chegar à Europa.

Em comunicado da Organização Internacional para Migrações, uma agência parceira da ONU, dezenas de sírios contaram ter pagado até US$ 6 mil a contrabandistas na Turquia.

Segurança

A quantia, equivalente a mais de R$ 16 mil, foi o preço cobrado pelos criminosos para que os sírios, que fogem da guerra, pudessem entrar na Europa.

Na semana passada, a ONU fez uma reunião sobre o abandono dos navios com centenas de pessoas no Mediterrâneo. A maior preocupação da Agência para Refugiados, Acnur, é com a segurança dos passageiros.

Segundo o Acnur, uma nova fórmula está sendo usada por contrabandistas para transportar o maior número de pessoas de uma só vez usando navios cargueiros. Mas depois, os criminosos abandonam os navios deixando os migrantes à deriva.

Em apenas um dos casos de resgate pela Marinha Italiana, havia 800 pessoas na embarcação irregular, encontrada sem tripulação. A OIM chamou a atenção para o risco de naufrágio levando à morte homens, mulheres e crianças.

Relatos

No caso do navio Ezadeen, também salvo pela Itália, havia 359 refugiados sírios incluindo 62 menores. Algumas vítimas contaram que foram obrigadas pelos traficantes a ficarem sentadas durante toda a viagem e que as condições do tempo eram ruins durante o trajeto.

A polícia italiana também está investigando relatos de que um dos comandantes do navio teria colocado a embarcação no piloto automático e permanecido a bordo se fazendo passar por um dos migrantes.

Somente nos 11 primeiros meses do ano passado, a Itália resgatou mais de 163 mil migrantes em embarcações irregulares, três vezes mais que em 2013. Ainda no ano passado, mais de 3 mil pessoas perderam a vida enquanto tentavam entrar na Europa pelo mar.

Força-Tarefa

Os traficantes continuaram operando durante todo o ano. A situação agravou-no na semana entre Natal e Ano Novo, quando mais de 2 mil pessoas foram resgatadas do Mediterrâneo pela Guarda Costeira Italiana.

O diretor-geral da OIM, William Lacy Swing, lembrou que o caso dos piratas da Somália, foi enfrentado por uma força tarefa de vários países no Golfo do Áden.

Para ele, o mundo precisa agora de uma nova força tarefa para resolver o problema do tráfico de pessoas no Mediterrâneo.

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JORNAL DA ONU - 5 MIN, 13 DE DEZEMBRO DE 2017
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