Mulher que perdeu 20 parentes para o ebola ajuda a tratar pacientes na Guiné

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Sobrevivente e moradadora de Nzerekore, no sudeste do país, ela agora dedica seu tempo a tratar de doentes; último balanço da OMS mostra que casos e mortes continuam subindo.

Unidade de Tratamento de Ebola em Nzerekore. Foto: Unmeer/Martine Perret

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York.

Na cidade de Nzerekore, no sudeste da Guiné, uma Unidade de Tratamento de Ebola, UTE, está funcionando desde o início de dezembro. O centro foi aberto pela organização francesa Aliança para Ação Médica Internacional e funciona sob coordenação da Missão da ONU para Resposta de Emergência ao Ebola, Unmeer.

Com 40 macas, 22 funcionários internacionais e mais de 200 funcionários locais, a UTE tem um diferencial: sobreviventes de ebola estão ajudando pacientes que agora sofrem com os sintomas do vírus.

Tragédia Pessoal

Fanta Camara é um exemplo: ela dá banho nas crianças com ebola e mede a temperatura dos pacientes. À Unmeer, Fanta contou sua história. A família dela foi uma das primeiras a ter ebola na região. Cerca de 20 familiares morreram, incluindo o marido e dois filhos. Ela agora é a chefe da família e com o trabalho na UTE, ela consegue pagar as taxas da escola dos filhos.

O jovem Kémo Camara, de 26 anos, é outro exemplo: enfermeiro, ele pegou ebola ao cuidar do irmão, que acabou morrendo. Ao descobrir seus sintomas, Kémo foi levado pela Cruz Vermelha à unidade de tratamento, onde permaneceu por 13 dias. Ele contou à Unmeer que está determinado a ajudar outros pacientes.

Medicamento

Uma rede de proteção e uma distância mínima de dois metros é mantida entre pacientes e familiares para evitar a transmissão do vírus, já visitas foram permitidas para algumas pessoas com ebola.

Segundo a Unmeer, a condição de saúde dos pacientes está melhorando. Há duas semanas, eles começaram a receber um novo medicamento, Favipiravir, produzido por um laboratório japonês.

Riscos e benefícios da droga são explicados aos pacientes com ebola na língua nativa deles. Segundo a Unmeer, o medicamento passou por uma revisão rigorosa e foi aprovado pelo Ministério da Saúde da Guiné e por comitês de ética do país e da França. Estudos estão sendo realizados para checar a eficácia.

Na segunda-feira, a Organização Mundial da Saúde divulgou o último boletim sobre o ebola e os casos e mortes continuam aumentando. Foram 21.171 pessoas infectadas pelo vírus e do total, 8.371 não sobreviveram.

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JORNAL DA ONU - 5 MIN, 13 DE DEZEMBRO DE 2017
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